Seja menos taxista

Tempo de leitura: 5 minutos

Demorei um pouco para escrever este artigo porque fiquei preso no dilema de usar a figura Taxi x Uber, que está na moda, para levantar um ponto bastante incômodo e que abrange diversas áreas do nosso dia-a-dia e não apenas dos negócios. Talvez, pelo final de ano, uma data ainda próxima na minha mente por conta dos grandes desafios que enfrentei em 2015, ainda tenha uma sombra filosofando na minha cabeça. Essa sombra me trouxe a este pensamento que, finalmente, decidi compartilhar com você.

Se você tem mais de 16 anos, provavelmente deve ter uma consciência mínima a respeito dos taxistas. Este é um grupo de profissionais difícil de descrever.

Isso acontece porque sabemos que há uma boa quantidade de taxistas honestos. Isso. Eu, por exemplo, conheço VÁRIOS taxistas que não são apenas honestos, mas também bons de serviço, que respeitam seus passageiros entre outras muitas qualidades. Estes taxistas possuem meu profundo respeito e, por isso, os excluo totalmente do que digo a seguir.

Nós conhecemos muito mais taxistas que são o contrário destes honrados profissionais que citei logo menos. Estes outros, maioria, possuem algumas características que assustam: Carros velhos, cheirando a mofo, sujos. Motoristas mal vestidos, mal educados, que usam telefone enquanto te levam ao destino, que descumprem diversas leis de trânsito durante o caminho, param em local proibido para pegar e deixar passageiros, dirigem de forma espaçosa no trânsito entre outras porqueiras, como puxar catarro, fumar enquanto dirige (se você não fuma, isso é um pesadelo), etc.

Além destes, que são maioria, temos um “terceiro bloco” que se recusam a levá-lo a um local que seja próximo, pois alegam que a “corrida não vale a pena”, outros que recusam-se a dar o troco certo e tentam sempre arredondar a corrida para cima, cobram uma fortuna para você levar a sua mala no porta-malas, tentam fazer corridas com preço exorbitante e com taximetro desligado, etc.

Este outro tipo de taxista me faz lamentar profundamente pelos bons. Estes honestos pagam muito caro pelos demais. Isso porque eu nem comentei sobre as cooperativas de taxi. Nem vou, porque pode ser que eu acabe numa foto em uma caixinha de leite longa vida.

O serviço do Uber não é perfeito e quem conhece a empresa também sabe que há muitas coisas obscuras a seu respeito. Porém, mantendo o foco no serviço em si, quem usa com frequência sabe que o carro sempre virá com ar condicionado ligado, água à disposição, motorista calado, normalmente bem vestido. Somado a isso, vários motoristas abrem a porta para você. Carregam sua mala (e não cobram nada extra por isso). Além disso, o serviço X, por exemplo, chega a ser mais barato que um taxi. É isso mesmo. O serviço, em geral, acaba melhor e mais barato.

Talvez você esteja se perguntando: se o serviço é melhor e mais barato, o que eu ainda estou fazendo utilizando taxi?

Bem, gostaria de trazer a simples reflexão quanto ao seu negócio ou você como pessoa. Nós queremos ser bem servidos. Se você não se importa, lembre-se que a maioria esmagadora das pessoas se importa sim. Essa maioria quer que as empresas ofereçam serviços no nível de qualidade do Uber e não de um Taxi.

Vou dar 3 pequenos exemplos práticos. Se você já entrou em uma loja da Apple sabe do que eu estou falando. Você se depara com atendentes que sabem o que estão falando. Que estão felizes. São educados. Atendem seus pedidos de forma solícita sempre buscando ajudar você em tudo.

Quando você vai numa H&M, por exemplo, arrependido de algo que comprou, não há constrangimento algum para devolver a compra e pegar seu dinheiro de volta. Sem rodeios, sem cara feia. Simples assim.

E se você entrar numa loja da Tesla, aquele carro que você dificilmente terá, se depara com uma atendente super educada, que te mostra o carro todo, deixa entrar, tirar fotos, etc. Ela já sabe que você não vai comprar. Mas ela explica tudo, sorrindo, porque é seu trabalho. Pode até ser chato, mas ela faz porque é assim que tem que ser.

Um varejo, como dei de exemplo, não pode mais se dar ao luxo de ter uma loja suja, desorganizada, com vendedores mal-humorados e preguiçosos ou uniformes sujos de gordura. Sabe quando você entra numa loja e o vendedor te dá aquela encarada dos pés a cabeça pra deduzir se você é rico ou pobre? Pois é, isso é a ultrapassada mentalidade de “taxista“. É muito constrangedor entrar em uma loja e o vendedor, por exemplo, achar que está fazendo um favor ao te atender. Isso não deveria mais caber no nosso “vocabulário”.

Somos muito velozes em exigir serviços melhores. Com TODA razão. Mas, será que ao exigir melhores serviços, nós também estamos acompanhando, na mesma velocidade, essas melhorias que tanto pedimos xingando muito no twitter?

Talvez, o Uber, no que tange seu serviço, tenha sido o primeiro de muitos serviços (em larga escala e com tamanha repercução) com mais qualidade e preço justo (isso, sem o bendito Lucro Brasil). Ou seja, pode ser que o grande benefício do Uber ao Brasil nem seja “lutar contra a máfia dos taxistas” ou pela “economia compartilhada”. Acredito que o Uber seja o primeiro de muitos a contribuir com o Brasil de forma sistemática para fazê-lo perceber que sua cultura “jeitinho brasileiro”, vulgo taxista, precisa morrer urgentemente.

Por isso, quando falamos de serviço, sejamos menos “taxistas“.

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Sobre Matt Montenegro

Matt Montenegro é fundador do Barba Ruiva, que funciona como um guarda-chuvas para o Beved, um mercado livre de cursos online, o Vida de Startup, este blog onde é escritor e criador e o Aio, um YouTube corporativo para base de conhecimento, comunicação interna e mini-treinamentos para empresas. Também é formado em Comunicação Social(Publicidade) na Newton Paiva, cursou a Pós-Graduação em Design de Interação na PUC e especialista em User Experience. É membro ativo do SanPedroValley, comunidade auto-gerenciada de startups da região metropolitana de Belo Horizonte.

  • Bruno

    Bacana o texto, Matt. Só um pequeno toque. Não influencia em nada o entendimento nem a qualidade do texto, mas acredito que onde você utilizou ” vendedores mau humorados” seria ” vendedores mal-humorados”.
    Um abraço!

  • Salmo Gardino

    Achei bacana seu texto e compreendo que a maioria dos brasileiros estão indignados com toda essa situação. Essa semana assisti uma reportagem sobre a norma de conduta dos taxistas que não podem falar de futebol, religião e política, e também, tem que andar na linha de sapato, camisa e calça social.
    Moral da história o Uber fodeu de verde e amarelo com a categoria, mas foi uma fodida boa. Só assim os caras acordam para a realidade e tratem melhor seus clientes.