Lições aprendidas sobre cultura e valores, produto, inovação e criatividade no South by Southwest 2015

Tempo de leitura: 15 minutos

O SXSW é um mega evento nascido em 1987 que converge festivais de música, cinema e tecnologia na cidade de Austin, no Texas. O evento Interactive, que eu participei, ocupa 5 dias da agenda total do evento. O SXSW é muito interessante para fazer novas descobertas, ampliar a visão e fortalecer a rede de contatos.

Em 2015, o SXSW contou com mais de 50.000 participantes do mundo todo. Para se ter idéia, mais de 300 brasileiros deram um “rolê” por Austin durante o mês de março (data do evento).

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Caso você ainda não tenha visualizado o tamanho do evento e como ele funciona, vou tentar explicar um pouco mais: são centenas de palestras, keynotes, workshops e outros tipos de sessões acontecendo das 9h30 às 19h durante 5 dias, simultaneamente, espalhadas pelo centro de Austin. Isso mesmo, não é esse formato tradicional que estamos acostumados de 1 palestrante por vez. Pelo contrário, o centro de convenções de Austin abriga uma porção de eventos ao mesmo tempo que vários hotéis da região central, como Hilton e Four Seasons, por exemplo, também recebem diversas palestras e workshops. Tudo ao mesmo tempo.

Muitos caras bem fortes deram uma passada pelos painéis e keynotes, como Eric Shimidt, do Google, Pete Cashmore, CEO do Mashable, Jonah Peretti, fundador do BuzzFeed, Biz Stone, co-fundador do Twitter, Todd Yellin, VP de Produto do Netflix, Stephen Wolfram, fundador do Wolfram Alpha, entre tantos e tantos outros. Funcionários de outras startups como Etsy, Airbnb também estiveram presentes compartilhando suas experiências nas suas respectivas áreas de trabalho.

Dito isto, acredito que dá pra ter uma idéia do tamanho e importância deste evento, não é mesmo? Para mim, o desafio maior foi escolher o que ouvir e aprender, afinal muitas palestras chamavam atenção e, “infelizmente”, ocorriam ao mesmo tempo. Assim, sempre havia a árdua missão de escolher uma palestra por vez.

Feita a agenda do dia, a segunda missão era planejar os percursos pelo centro de Austin para não me atrasar para nenhuma palestras, o que poderia custar caro, afinal, a maioria das que eu estive presente estavam com boa lotação. Várias chegaram a esgotar os assentos, então, para não correr o risco, sempre chegava uns 10 minutos antes para garantir meu lugar.

Talvez você deva estar se perguntando como eu fui parar lá. Bem, essa é uma outra história, mas vale o grifo que graças a um concurso da APEX eu ganhei um ingresso para participar do evento. Especificamente sobre a APEX, ela levou algumas startups para o SXSW realizando um excelente treinamento de pitchs e alguns eventos bem ricos com investidores. Para se ter uma idéia, até o Dave McClure deu um pulo em um dos coquetéis que a APEX realizou na chamada Casa Brasil, também recebeu Alice Braga, brasileira que vem participando de filmes em Hollywood como Eu sou a Lenda com Will Smith.

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Eu aprendi muitas coisas durante estes intensos 5 dias em Austin. Para focar em temas diretamente relacionados ao dia-a-dia de uma startup, escolhi as 3 anotações mais matadoras que fiz para compartilhar com vocês. A primeira é sobre a construção da cultura da sua startup, que é essencial para qualquer um que está começando ou já está com tração e aumentando o time. A segunda, é sobre testes A/B e como o Netflix aprimora seu produto e a terceira é sobre como inovar e ser criativo com orçamento limitado inspirando-se em exemplos da NASA. Vamos nessa? 🙂

1. Codando Cultura: Como programar o melhor lugar para trabalhar (Coding Culture: Programming a Best Place to Work) – com Laura Love, fundadora e Chief Cultural Officer na Ground Floor Media e Ramonna Robinson, Presidente na GFM.

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Em primeiro lugar, é importante termos a consciência que uma empresa é formada por pessoas. E são essas pessoas que realmente importam. Uma empresa não é nada sem as pessoas, portanto são essas mesmas pessoas que fazem uma empresa ser o que ela é. Assim, criar um ambiente que seja parte do dia das pessoas e não o dia fazer parte do trabalho é tão importante.

Nunca se esqueça: a MERITOCRACIA é vital. Todos devem ser remunerados e premiados segundo o que merecem e o que fizeram. Remunerar ou premiar alguém sem que ele mereça, inevitavelmente, causará um clima péssimo de trabalho, pois desmotiva e desvaloriza quem está trabalhando e recebendo por méritos.

É extremamente importante se certificar que as pessoas entendem claramente quais são os valores da empresa. Inclusive, estes valores precisam ser vistos com clareza nos líderes dela. Isso significa que os líderes da empresa precisam ser aqueles que melhor expressam os valores e cultura. Eles são os exemplos máximos.

Nunca contrate alguém, por mais competente que seja, que não tiver um encaixe muito bom com a cultura. Sempre preze por isso, pois é essencial para manter e fortalecer os valores e cultura de uma empresa. Além disso, quando estiver contratando, por exemplo, leve o candidato para almoçar e veja como ele se comporta, como trata o garçom, o que come, como fala, etc. Outro exemplo interessante, apenas para nortear, é perguntar o que a pessoa faria se ganhasse na loteria ou se pudesse ser outra pessoa, quem seria. Com perguntas e situações como estes exemplos, será possível ter uma idéia bem mais clara de como é o perfil e algumas características dessa pessoa.

Quanto a escolha de pessoas, sempre deixe que a equipe técnica avalie as habilidades dela. Eles são os melhores nisso e não faz sentido o RH ficar por conta dessa missão, afinal dominar todas as áreas e saber detalhes de cada uma é muito difícil. Após a pré-seleção feita pelo time técnico, aí sim o RH entra em ação com os exemplos dados anteriormente. O trabalho fica conjunto e muito mais eficiente, tendo uma análise completa de habilidades e perfil.

Bem, isso não vai impedir que contratações equivocadas ocorram, mas as diminuem bastante. Isso significa que além de contratar focando bastante na cultura e valores, também é muito importante demitir por causa dessa mesma cultura e valores. Mesmo que seja o melhor e mais produtivo colaborador, não hesite em cortá-lo caso não haja encaixe com a cultura e valores da sua empresa. E isso serve para clientes também. Se algum cliente destrata as pessoas da sua empresa, talvez seja melhor num médio/longo prazo não tê-lo que manter um cliente que macula a cultura da empresa. Por isso, o time de marketing aliado ao time de vendas precisam focar oportunidades que também estejam próximas ao alinhamento cultural. Portanto, mesmo que custe caro, não permita que clientes interfiram na sua cultura e nos seus valores, mesmo que custa muito caro perder a conta dele.

ATENÇÃO! Tenha uma política severa contra babacas. Isso mesmo, crie uma política anti-babacas. Pessoas que maltratam os colegas, que diminuem ou agem de forma babaca são uma metástase. Até dá para retardar a tragédia, mas cedo ou tarde uma pessoa assim trará sérios problemas para o ambiente da sua empresa. Em alguns casos, pode ser fatal. Portanto, não hesite em demitir pessoas babacas.

Celebre os sucessos, mesmo que não sejam comemorações faraônicas. Não deixe marcos importantes passarem em branco. Além de alinhar as pessoas, dá mais motivação para seguir em frente.

Sempre que possível, retiros fazem bem para o time. Ainda mais se as famílias puderem ser envolvidas de alguma forma. E, nestes retiros, não é primário tratar de assuntos de trabalho. Garantir que as pessoas da sua empresa estejam descansando é muito importante, em especial junto as suas famílias. Lembre-se, as famílias são tudo para uma pessoa (deveria ser, né). Encoraje as pessoas com frequência a gastarem tempo de qualidade com sua família.

Além da família, um incentivo importante é o envolvimento das pessoas com a comunidade onde vivem. Trabalhos voluntários possuem um retorno muito valioso. Se possível, busque meios de amplificar o trabalho voluntário dos colaboradores se envolvendo também. Um exemplo bacana é impulsionar esse tipo de exercício somando as horas de trabalho voluntárias de todos e converter em uma doação para uma instituição, algo do tipo. É apenas um exemplo, mas dá um norte sobre como incentivar que os colaboradores contribuam com a comunidade (pode ser com palestras em escolas, aulas de programação, etc).

Num ambiente de startups é muito comum ver as pessoas vestidas de sunga vermelha, sem camisa e havaianas. Bem, podemos sim nos vestir de maneira confortável, mas é importante não nos esquecermos que existe uma coisa chamada bom senso. Lembre-se que clientes, jornais e semelhantes podem visitar o escritório, então se vestir de maneira minimamente apresentável – sem deixar o conforto de lado – é muito importante.

Nosso cabelo cresce enquanto estamos trabalhando. Nada mais justo que sair para cortá-lo também enquanto estamos no trabalho. Em outras palavras, não importa muito o motivo pelo qual uma pessoa se ausenta. Mais importante é que ela sempre entregue seu trabalho pronto, independentemente de onde ela esteja ou tenha ido. Por isso, é importante estar atento quanto a situações familiares de doença e semelhantes. Permitir que a pessoa trabalhe de casa pode ser algo profundamente importante para ela.

Finalmente, a cultura e valores de uma empresa começa quando o livro de regras vai embora. Somos adultos. Se precisarmos de um livro de regras é porque alguma coisa está muito errada. Temos que partir do princípio que sabemos como conviver uns com os outros e que entendemos com clareza quais são as responsabilidades que temos. Isso é essencial para a manutenção de uma boa cultura e valores de uma empresa.

2. Uma década de testes A/B com o Netflix (A Decade Of A/B Testing With Netflix) – com Todd Yellin, VP de Produto do Netflix

Conversa NASA

Idade, sexo e localização sempre foram dados cruciais para determinar qual tipo de conteúdo deve ser apresentado e para quais usuários. Acontece que essas métricas não são exatamente capazes de determinar os gostos de alguém. De fato, temos pessoas fora da curva como uma senhora de 83 anos que ama Os Vingadores, por exemplo. Isso significa, em outras palavras, que perguntar para as pessoas sobre o que elas gostam não tem tanto efeito quanto observá-las em ação. E é isso que o Netflix vem aprimorando nestes últimos 10 anos: uma percepção mais adequada dos seus usuários baseado no comportamento deles e não em questionários e achismos do time de produto.

Falando em métricas, para o Netflix apenas 2 os guiam:

  • Usuários (ex: qual impacto uma decisão trouxe aos usuários? Se a conversão diminuiu foi porque uma má decisão de produto foi tomada)
  • Retenção/Engajamento (ex: qual o impacto uma decisão trouxe a retenção do usuário e aumento do uso do produto por ele? Se os usuários estão assistindo mais e por mais tempo significa que a decisão de produto foi acertada)

Desentendimentos acontecem num processo de design e com frequência, o melhor argumentador ou o mais velho de casa vai acabar ganhando essa argumentação. Muitas vezes, o que fala mais alto ou o mais velho é o menos qualificado e indicado para tomar uma decisão nesse processo de design. Testes A/B fazem com que seus usuários tenham voz em reuniões como essas. Lembre-se, quando falo voz não significa necessariamente ouvir seus usuários. Significa colocar na mesa o que você aprendeu os observando.

Big Data são pilhas de excremento com pequenas porções de ouro

Foque nos dados de comportamento: É tentador se firmar em dados demográficos, gênero ou idade ou até em o que os usuários estão nos respondendo através das perguntas que fazemos, mas o que realmente quer ter o melhor resultado possível, analise o que seus usuários fazem, ou seja, como eles se comportam.

Acredite nos seus Experts: Você não consegue testar todos detalhes de forma microscópica como gostaria ou você nunca vai conseguir medir se essas mexidas tão pequenas trouxeram o grande impacto esperado. Ao invés de se matar nisso, confie na experiência do seu time de design e nas mudanças baseadas em pesquisas e dados complementares.

Tenha fé: Algumas idéias e mudanças, muitas vezes, não funcionam de primeira. Mas não desanime! Siga iterando e testando aquilo que acredita buscando sempre usar dados para respaldo.

Seja ousado: Testes podem encorajar ousadia porque permite você tentar algo novo. Não tenha medo de fazer experimentos até que estes evoluam e se tornem relevantes. Mas não se esqueça que, as vezes, algumas ideias terão que morrer dependendo dos seus resultados. E isso faz parte.

O cara mais inteligente e esperto do seu time ainda será menos inteligente e esperto que o comportamento dos seus usuários.

3. Princípios e práticas da inovação (Inovation Principles and Practices) – com Dan Ward, ex-militar da Força Aérea Americana

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Primeiras coisas em primeiro lugar: Inovação e criatividade necessitam, necessariamente, de paixão. Sem paixão, elas não perseveram. Muitas vezes, achamos que a falta de orçamento ou um orçamento limitado pode acabar com uma idéia ou um produto, mas é justamente o contrário: orçamentos limitados devem nos impulsionar para soluções ainda mais criativas.

Tenha cuidado com os sucessos que custam muito caro e exigem muito stress e pressão. Este tipo de sucesso acaba impedindo que mais sucessos com inovação e criatividade voltem a acontecer, pois forçam o time excessivamente, cria uma pressão fora da curva exaurindo e levando toda uma equipe ao máximo stress desmotivando-a a buscar inovação novamente. Ao mesmo tempo, cuidado com os sucessos seguidos. Eles tendem a gerar a maldita acomodação, o que diminui os desafios e a paixão de seguir fazendo sucesso com criatividade.

Lembre-se, quando o sucesso exige menos “energia mental” e gasta um orçamento menor com menos pressão a capacidade de realização aumenta e a vontade de fazer inovação novamente é renovada ciclicamente.

Um cuidado muito importante quando falamos de desenvolver um produto é que features vendem. Features extra vendem ainda mais. O problema é que quanto mais features temos, mais frágil o produto e seu design se tornam. E isso é muito grave. Por isso, foque sempre em entregar um produto com foco, ou seja, simples. É o famoso menos é mais.

Em outras palavras, faça o que deve ser feito de forma simples e direta. Assim, valorize a simplicidade. É ela quem impede que as fragilidades de um produto apareçam. Pense um pouco: quanto mais features um produto tem, mais código precisa ser testado, mais conferências precisam ser feitas, mais pesado este código fica e, por fim, mais lento ele será para se mover.

Isso significa que a fragilidade de um produto está justamente no excesso de features, portanto – sendo bastante redundante porque este é um ponto bem polêmico, valorize muito a simplicidade.

Transforme a simplicidade em valor na sua empresa. Isso vai trazer ainda mais foco e resultados para você e seu time.

Não se esqueça: velocidade é importante, simplicidade é importante e orçamento sem desperdícios é igualmente importante. Em outras palavras, quanto mais enxuto for o orçamento, maior será o número de tentativas possíveis e, por consequência, maior a probabilidade de acerto.

Fortaleça a cultura e valores da sua startup, sempre crie produtos com simplicidade e isso fará você e seu time ainda mais criativo e inovador. 

Essa foi a minha experiência no SXSW 2015. Espero ter contribuído um pouco compartilhando o que pessoas experientes que trabalham em empresas referência compartilharam durante estes 5 dias de evento em Austin.

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Este artigo contou com a ajuda de algumas das anotações de Valentina Bettiol, Carl Bliss e Aplus

Sobre Matt Montenegro

Matt Montenegro é fundador do Barba Ruiva, que funciona como um guarda-chuvas para o Beved, um mercado livre de cursos online, o Vida de Startup, este blog onde é escritor e criador e o Aio, um YouTube corporativo para base de conhecimento, comunicação interna e mini-treinamentos para empresas. Também é formado em Comunicação Social(Publicidade) na Newton Paiva, cursou a Pós-Graduação em Design de Interação na PUC e especialista em User Experience. É membro ativo do SanPedroValley, comunidade auto-gerenciada de startups da região metropolitana de Belo Horizonte.

  • Fabio Pessoa

    Que legal! Curti a observação das features. As vezes o problema não é nem a quantidade de bugs e sim a quantidade de features. Muito bom! South by southwest é um sonho. Obrigado por compartilhar.

    • Obrigado, Fabio! Eu encorajo fortemente a se planejar e ir em uma edição. É realmente muito transformador.

  • Gabriel Silva

    Mt bom Matt! Valeu por compartilhar! Abraço

    • Obrigado por passar por aqui, Gabriel! Não deixe de assinar nossa Newsletter 😉

  • Daniel

    Bom texto Matt! Parabéns.

    • Obrigado, Daniel! Não deixe de assinar nossa Newsletter, beleza? Sucesso!

  • Guilherme Oliveira

    Texto muito bacana nao conhecia esse parabéns pelo conteúdo.

    • Obrigado, @disqus_mkQ7gZHeOY:disqus! Não deixe de compartilhar com os amigos 😉

  • Muito legal e prospera a ideia que a Laura Love transmitiu, mas creio que alguns pontos são bem difíceis de se implantar nas terras tupiniquins. Digo isso por questão cultural, como ela sita o exemplo de trabalhos voluntários e ligar a família, isso muitas vezes não é visto com bons olhos por aqui. Mas nada que com esforço e inovação afinal estamos falando de Startups possa ser feito, gostei bastante desse ponto!

    • Para aplicar essas instruções, em muitos casos será necessário demitir e contratar pessoas mais comprometidas e mais competentes, caro @guilhermeometto:disqus. É o preço de uma cultura e valores forte.

  • jandersonfc

    Muito bom Matt, obrigado por compartilhar suas impressões sobre o evento.

    “O cara mais inteligente e esperto do seu time ainda será menos inteligente e esperto que o comportamento dos seus usuários.”

    Agora, sempre que ouvir a frase “o cliente não sabe o que quer” e “o usuário é burro” vou rebater com essa frase mencionada em seu artigo 😉

    Sucesso!

    • Lembrando que o comportamento do cliente/usuário mostra o que ele quer 😉 Diferença pequena nas palavras, mas grande nas ações.

  • Oi Matt, muito bom o texto, acompanho seu trabalho a um tempo já, gosto bastante. Mas eu queria trazer uma critica pra reflexão aqui.

    Recentemente eu tenho lido muito sobe a cultura empresarial do Spotify,e lá fala-se muito sobre como eles dividem os times de desenvolvimento de maneira a mesclar profissionais de diferentes áreas mas tendo líderes que conseguem passar o norte, e o que precisa ser feito. Uma das coisas que você menciona no texto é a meritocracia dentro da empresa e tal, mas segundo o pessoal do Spotify isso pode criar um clima de competição ruim onde as pessoas perdem mais tempo tentando ser promovidas do que trabalhando em equipe e sendo produtivas. Você não acha que um ambiente onde impera a meritocracia pode se tornar tóxico/nocivo a longo prazo? O líder ideal não deveria conseguir fazer com que seus liderados trabalhassem em equipe pra alcançar um objetivo?

    Só espero poder enriquecer o diálogo 🙂 segue abaixo os links do Spotify que eu mencionei pra quem quiser dar uma olhada, é bem legal:

    https://labs.spotify.com/2014/03/27/spotify-engineering-culture-part-1/

    https://labs.spotify.com/2014/09/20/spotify-engineering-culture-part-2/

    • @andre_heringer:disqus, eu sou 100% favorável a meritocracia. Vou tentar discorrer melhor em 2 pontos:

      1. As pessoas precisam ser remuneradas pelo que elas produzem. Há pessoas que produzem mais que outras. Que são mais comprometidas que outras. Elas merecem serem reconhecidas por isso. Não é justo que uma pessoa que produz pouco ganhe o mesmo que alguém que é mais comprometido e produz muito mais.

      2. Quando falo meritocracia, não é uma gameficação de promoções na empresa. É cada um, individualmente, sendo remunerado por merecimento (e isso inclui trabalhar bem em equipe). Então, na minha opinião, para evitar que haja um ambiente egoísta focado em ganhar salários mais altos, a cultura e valores da empresa deve se “impor”. Os elementos de cultura e valores, por exemplo, são os citados acima. Acredito que eles servem de alicerce para atenuar essa probabilidade “tóxica” que você lembrou bem.

      Finalmente, a mentalidade das pessoas dirá muito sobre cada questão que abordei no texto. É o ponto alto do assunto. Quem for mais maduro, certamente não entrará nessa pegada de competição por promoção. Se entrar, é porque ele não é um cara bom para trabalhar na sua empresa 😉

  • Felipe Müller

    Ótimo!