Pare de frequentar eventos para Startups

Pare de frequentar eventos para Startups. Esse se tornou quase um mantra na minha cabeça nos últimos tempos. Mas deixe-me colocar as coisas claras logo no começo. Eu não tenho nada contra os eventos em si. Muitos eventos para startups são feitos por pessoas sérias que buscam contribuir de forma positiva com o ecossistema.

Eu mesmo já organizei inúmeros eventos para startups e apoiei outros tantos. Meetups nos primórdios do San Pedro Valley, Goal! Belo (com nomes como Binh Tran, fundador do KloutChris McCann, fundador do Startup DigestKhai lee Ng, investidor na 500 StartupsSimon Cook, da DFJ Espirit) eventos do Startup Chile em BH (ao menos 2), Startup Weekend, Minas Startup Week entre vários outros.
Além de ter experiência ao organizar eventos de e para startups, participei de muitos. Destes mesmos meetups que mencionei agora, eventos como CASE (fui nas primeiras 2 edições), Circuito Startups (sim, já fui como participante e como mentor), Startup Weekends (vários em BH, Vitória, Londrina), Demo Days do SEED, do Lemonade, Campus Party Startup & Makers, entre tantos outros.
Somado a isso, eu falo com alguma frequência (tento não passar de um por mês) em eventos sobre Growth Hacking (o último na Gama Academy, formação de jovens para trabalhar em startups), Publicidade – minha formação acadêmica (o último em Santa Maria, na Universidade), UX/Produto (A última foi para uma startup), dou mentoria (Lemonade BH e Triângulo) e compartilho conhecimento (Workshop ou mini-talks) em aceleradoras. Diga-se de antemão, a maioria de graça.
Ou seja, eu conheço esse meio tanto por organizar, quanto por participar desses eventos como expectador e palestrante. E, baseado nessa experiência que eu tenho, quero compartilhar o motivo de te aconselhar a não frequentar eventos para Startups.
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E, desde que comecei o Aio (spin-off do Beved), um Youtube Corporativo (leia mais aqui), minha percepção constantemente é essa que não existe nada mais artificial que eventos para startups. E, incrivelmente, o problema não está no evento em si. Está mais relacionado com as pessoas, seus interesses, como elas se comportam e o que elas falam nesses eventos. E isso muda tudo. Assim, absorva o que te for útil segundo minha experiência e percepção pessoal.

O Empreendedor que não empreende

eventos para startups
Empreendedores são um fenômeno a ser estudado. Tem muito empreendedor que vive de evento para startups. É mentor de Startup Weekend, comparece em todos os Happy Hour do Cubo, vai na festa de abertura do Google Campus, tem stand na Campus Party Startups & Makers, cava participação na CASE, mas seu produto não passa de uma landing page há muitos meses ou está em marcha de caranguejo (só anda de lado).
Além disso, os assuntos principais que você ouve desse tipo empreendedor são:

  1. Não consigo terminar minha idéia porque não encontro investidor;
  2. Apostei todas as minhas fichas na inscrição pra ser acelerado por tal aceleradora, já estou até contando com esse dinheiro;
  3. Não consigo um sócio desenvolvedor que queira trabalhar de graça pra mim;
  4. Aquela aceleradora não me aceitou, mas aceitou o fulano com um projeto ridículo, isso é um absurdo, jogo de cartas marcadas.

Esse tipo de pessoa nunca vai empreender. Ela sempre vai terceirizar suas mazelas para depois desistir e, as vezes, ficar revoltado. E esse cara desiste porque ela realmente não entendeu, não entende e provavelmente não entenderá nunca mesmo que empreender é trabalhar duro, é “se ferrar muito” antes de conseguir alguma coisa, se conseguir. E, infelizmente, os eventos para startups no Brasil são repletos de empreendedores que não empreendem.
Para não ser um empreendedor só de palavra, sugiro fortemente essas 4 leituras, onde compartilho o dia-a-dia de uma startup:

  1. Como e quanto custa começar uma startup
  2. Produto Viável Mínimo (MVP): Não caia nessa lorota
  3. Startups B2C no Brasil já nascem mortas
  4. Desista da sua startup antes que seja tarde demais

Fumaça é regra, fogo é exceção

eventos para startups
Eu não sei se é por inexperiência ou se é o medo de ficar de fora, mas um problema sério que eventos para startups possui é a bendita fumaça. É incrível como aparece, na maioria esmagadora, para não dizer 100%, gente bem de vida, com a startup “bombando”, com tudo bem, tudo certo, tudo decolando, vida linda, paraíso, Vale do Silício, viagens para San Francisco. Nossa, eu perco até o fôlego com isso. E isso assusta. Assusta muito, afinal ou eles estão realmente certos ou eu estou vivendo outro planeta completamente diferente.
E eu explico. Falo isso porque eu, ralando igual um “miserável”, sofrendo para conseguir pagar minhas contas do dia seguinte, por algum momento vendendo o almoço para comprar a janta, devo estar obrigatoriamente fazendo alguma coisa errada. Afinal, como pode TODO MUNDO estar no país das maravilhas e só eu no sertão passando fome, sede, enfrentando desafios e problemas?
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Pois é. Se você se identifica com isso é porque já frequentou eventos suficientes, como eu. Agora, eu tenho um cuidado muito grande. Eu dou uma monitorada nessas coisas. Pode ser uma doença, mas eu checo balanço das empresas, coisas do tipo. O que eu vejo com muita frequência é que até alguns caras mais em evidência escondem sua realidade. Falam publicamente que faturam 3x mais que o balanço apresenta e coisas do tipo. Se você saca de métricas, facilmente percebe quando estão falando borracha.
Finalmente, vemos muita fumaça, muito vapor e pouco fogo, pouca coisa verdadeiramente palpável. Pra piorar, quem eu sei que realmente está crescendo, está bem e fazendo um trabalho memorável não frequenta mais eventos assim. Talvez pelo mesmo motivo que acabei de citar.

O investidor que não investe

eventos para startups
Muitos eventos tem aquele formato de “rodada de negócios”. Eu até acredito que possa funcionar, mas nunca vi e não conheço ninguém que tenha recebido investimento ao assentar 5 minutos com um “investidor” em um meetup desse tipo.
Claro que aqui temos 2 coisas. A primeira delas é uma apresentação de um produto que sequer está acabado, não tem clientes, modelo de negócios indefinido. Aí é difícil investir mesmo.
Mas também dá muito investidor que não investe. Ele olha, acha legalzinho o que você está fazendo e sempre solta “me atualize dos seus avanços, vamos seguir em contato”. Para o empreendedor inexperiente, ele acha que isso é quase ser investido. Mas não é não, viu? Essa é apenas a desculpa mais clássica para “olha, eu não vou investir em você nunca”.
A maioria dos eventos que eu já frequentei se depara com esses investidores que não investem. Falam como investidores, se vestem como investidores, frequentam palestras da Anjos do Brasil, mas não investem. Quando você olha a carteira de investimentos dele, não há nada novo há anos.
Se você não tem ideia de quanto custa começar uma startup, sugiro ler esse artigo.

Bebedeira, noitada, drogas e descontrole

evento para startups
Já presenciei uma pessoa dar palestra bêbada/com ressaca num evento. Gritou palavrão, falou embolado, um inacreditável futebol clube. O problema, obviamente, não foi o evento em si, mas o comportamento dessa pessoa que infelizmente reflete muito bem o de muitos entusiastas, simpatizantes que decoram jargões e se julgam empreendedores.
Também já presenciei um palestrante desaparecer. Calma, ele não foi sequestrado. Na verdade, ele “esqueceu” que tinha que fazer uma palestra, bebeu demais e não apareceu no evento. O evento pagou passagem, hospedagem e traslado apenas pra a pessoa divertir em outra cidade.
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Durante os eventos, essas pessoas saem de noite, se matam, e, no dia seguinte, estão física e mentalmente mortos. Não conseguem ser mentores, fazem o trabalho de qualquer jeito, acham o máximo as cagadas que fizeram na noite e ainda fazem piada.
Além disso, há aqueles que são comprometidos e ainda removem a aliança do dedo pra curtir a noite. Quando eu vejo esse comportamento, concluo automaticamente que aquela pessoa não respeita nenhum tipo de compromisso ou acordo. Não possui seriedade. Se quebra seu compromisso com a pessoa que prometeu amar, imagina com aquele que dá dinheiro para ele?
Por isso, não pelo meu credo, evito ao máximo beber em público. Não curto. Eu gosto de reencontrar algumas pessoas queridas para mim, mas com frequência me deparo com esse nível de caráter. E, infelizmente, eu não me compactuo com essa forma de agir, o que me levou a me distanciar desse tipo de pessoa e evento.

Curiosidade: Uma vez, um empreendedor tirou a aliança do dedo, ficou chapado de droga e cerveja e saiu catando travesti na rua. Nada contra, mas eu acho que ele apenas se confundiu por estar tão doidão. Eu vi com esses olhinhos que a terra provavelmente há de comer.

Dito isso, sim, eu já vi empreendedor usar drogas na minha frente. Não apenas maconha, mas Cocaína também. Sim, você leu certinho. Quando vi um desses usar Cocaína, dei 5 minutos, levantei e fui embora com outro empreendedor. Foi o cúmulo do absurdo, pois foi em público, numa mesa de bar que qualquer pessoa normal frequenta na Savassi, por exemplo. E o mais triste é que isso é mais comum do que se imagina e vários ainda acham isso cool.

– Cara, você está exagerando.

– Não. Já me ofereceram Cocaína no lobby do hotel também. E eu não aceitei 😉

Caso você esteja buscando ser mais produtivo, como eu também estou tentando, recomendo essa leitura.
Obs: Esse H2 virou “causos”, no finalzinho. Foi mal, não era tanto a ideia inicial :D, mas deu pra entender, né?

Os eventos que não te pagam, mas ganham dinheiro usando você

evento para startups
Uma coisa que eu aprendi é que tempo vale dinheiro. Eu fazia absolutamente tudo sem cobrar nada de ninguém. Só que eu descobri que algumas dessas pessoas estavam ganhando dinheiro e visibilidade às minhas custas. Claro, não apenas de mim, mas de vários outros.
Por um momento, eu até criticava alguns empreendedores que cobravam para palestrar. Mas tenho que admitir que eles estavam certos sob essa perspectiva. Numa lógica simples, esses empreendedores (não todos) entendem que eventos com entrada franca e/ou sem fins lucrativos como Startup Weekend, palestras em escolas e faculdades não se cobra.
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Há produtores de eventos sérios e produtores de eventos que são espertos. Esses espertos falam “você vem, palestra e em troca você ganha visibilidade”. Esse é um dos maiores disparates que eu presencio quando falamos sobre falar em algum evento. Esses produtores que são espertos querem ganhar uma grana usando seu nome! Atraem pessoas, levantam um evento, obtém lucro e depois te devolvem um tapinha nas costas.
Já recebi muitas ofertas de parcerias do tipo. Eu palestro/faço um workshop/mentoria e o organizador do evento ganha o dinheiro. Eu entrego o valor, o conteúdo, o produto e o dono do evento é quem passa o chapéu. O pior é que, na inocência, achando que as pessoas só querem o bem do ecossistema, a gente aceita esse tipo de coisa. Mas, com o passar do tempo, fica claro que muitos só querem fazer negócio, dinheiro às suas custas.
E é uma pena que poucos valorizem a prática do win-win. Se eu levo conteúdo de qualidade para um evento pago e que obtém lucro, o mínimo é contribuir comigo também e me remunerar pelo que fiz. Evidentemente, há eventos pontuais que, para o empreendedor, a visibilidade basta e “paga” o tempo investido. Mas são pontuais e exceção a regra.
Se você é um produtor sério que pratica win-win, posso indicar pessoas sérias para você (pode falar, você achou que eu ia fazer um jabá meu aqui, né!). Você pode entrar em contato comigo aqui.
Obs: Eu não ganho nada com isso, só quero ajudar pessoas sérias a fazerem trabalhos sérios e perenes. Quem me conhece de San Pedro Valley sabe o quanto indico e encaminho oportunidades para os bons empreendedores.

Toda generalização é perigosa

eventos para startups
Eu sinceramente não acredito que você deva abolir em absoluto as suas idas a eventos, apesar do título um pouco sensacionalista do artigo (desculpe por isso, mas sou publicitário, daí cada título é uma obra de arte). Mas eu entendo que você e eu precisamos focar muito mais em fazer nosso negócio acontecer que virarmos grandes arroz de festa.
Por isso, se eventualmente vou a algum evento, escolho preferencialmente os eventos que são mais segmentados. Vou para aprender, anotar, etc. Bem nerd mesmo. Se paguei caro, inclusive, vou aproveitar ao máximo.
Seguindo essa linha e respeitando os nichos, recomendaria:

  1. Se você quer melhorar seu negócio de recorrência, o Saastr é seu evento;
  2. Se você quer conhecer coisas novas de verdade, o SXSW é seu evento;
  3. Se você é um Produtor Digital, o Fire é o seu evento;
  4. Se você trabalha com Marketing Digital, o RD Summit provavelmente é o seu evento;
  5. Se você quer conhecer gente nova e só, então o Meetup é seu evento;
  6. Se você está começando e não sabe quase nada, provavelmente o Startup Weekend seja o evento que você está procurando;
  7. Se você trabalha com educação, procure eventos de educação. E assim por diante.

São alguns exemplos que, colocados no momento certo e com o foco certo, passam a fazer algum sentido, mantendo em linhas gerais as restrições aos perfis que citei anteriormente.
Se você conhece um evento sério e focado, compartilhe sua experiência nos comentários!

Conclusão sobre eventos para startups

Na minha opinião, quanto menos eventos você frequentar, melhor. Eventos tiram você do eixo/foco. Você encontra muita gente falando muito. Falando mais do que deveria. E esse ego inflado, essa falsa positividade acaba fazendo mal para quem está ralando pra valer e passando um aperto desgraçado pra fazer o seu negócio virar.
Eu conto nos dedos quantas pessoas, nessas centenas de eventos que já fui, responderam ao serem perguntados pelo seu negócio que as coisas estavam difíceis, que havia dificuldades, etc. 99% das pessoas, da boca pra fora, falam que o negócio está crescendo, que está tudo uma maravilha, que empreender é lindo, que está fechando rodada de investimento, bla bla bla. Feio demais. Essa cultura da mentirinha é uma sementinha do mal filha da mãe. Contamina o ambiente e contribui para essa falação falsa sem fim.
E esse é o motivo nevrálgico que me fez diminuir substancialmente a presença em eventos de startups. É muita fumaça pra pouco fogo. Muita gente procurando atalhos. Buscando benesses. Se vendendo para conseguir algum progresso. Ao ver como muitos empreendedores se comportam, lembro de duas figuras que exemplo ficam muito bem a realidade e prática no meio desses eventos para startups:

eventos para startups

A primeira delas é a indulgência. Tá cheio de empreendedor por aí disposto a pagar um preço por um lugarzinho no céu (sucesso, fama, poder). Eles estão realmente dispostos a abrir mão do controle do seu negócio (famigerado emprego precipitado da expressão “melhor ter 1% de alguma coisa que 100% de nada”), de devolver “favores” para quem conseguir capitalizar seu negócio e coisas parecidas. Querem uma foto com o empreendedor de sucesso. Querem um like, um share, uma consultoria grátis.

No fim, esse tipo de empreendedor quer só o status do “sucesso”. E isso é louco, porque esses empreendedores são tão cegos que não conseguem ver que a maioria dos “empreendedores-ídolos” deles foram construídos com muito PR, Marketing, Maquiagem de contas (o balanço diz uma coisa, a revista diz outra) e trapaças.

tba

A segunda delas é o T-Bag (ou Frank Underwood das startups, como quiserem), do Prision Break. Para quem não se lembra, quando Michael Scofield vai a prisão para salvar seu irmão, ele se depara com um prisioneiro barra pesada chamado T-Bag, que transforma novos prisioneiros em “meninas” dele. Para se salvar do linchamento, roubos, maus-tratos e morte numa cadeia, ele oferecia essa “proteção”. Você se prostituía com ele e, em troca, você estaria protegido. A condição era andar segurando o bolso da sua calça, mostrando que você era uma de suas “meninas”.

Tem muito empreendedor disposto a se prostituir em troca de clientes, dinheiro, viagens. O que é bem triste. Por outro lado, também tem muito empreendedor T-Bag. Esses usam seu PR, fee mensal de advogados, esperteza e promessas falsas para fisgar os novinhos (iludidos pelos cantos da sereia) e sugar sua energia, idéias, produto, tudo. Cuidado com isso, é muito sério.

Eu gosto de encontrar pessoas. E não acho devamos parar de ir em todo e qualquer evento por causa da nocividade do ambiente de empreendedorismo. Precisamos na verdade é ficar bem espertos e não nos deixar enganar por essas coisas todas. Os Meetups são bem legais para rever os poucos amigos que você fará nessa jornada empreendedora, encontrar conhecidos e aquecer alguns contatos. Sempre com muita estratégia e foco, vulgo “quem é vivo sempre aparece”.
Eventos que ofertam conteúdos de qualidade para aprendizagem real também devem ser valorizados. E, se tem valia para você, não hesite em comparecer. Só não se esqueça que o foco principal é aprender. Então aprenda, anote e volte para seu negócio aplicando tudo que assimilou.
Se você se interessar, estou escrevendo artigos sobre o dia-a-dia de uma startup. Até aqui foram 4 artigos e você pode conferí-los a seguir:

Caso você tenha se sentido um pouco desanimado com meu texto, passe aqui nesses TEDs pararecuperar suas energias 😉