Pare de frequentar eventos para Startups

Tempo de leitura: 16 minutos

Pare de frequentar eventos para Startups. Esse se tornou quase um mantra na minha cabeça nos últimos tempos. Mas deixe-me colocar as coisas claras logo no começo. Eu não tenho nada contra os eventos em si. Muitos eventos para startups são feitos por pessoas sérias que buscam contribuir de forma positiva com o ecossistema.

Eu mesmo já organizei inúmeros eventos para startups e apoiei outros tantos. Meetups nos primórdios do San Pedro Valley, Goal! Belo (com nomes como Binh Tran, fundador do KloutChris McCann, fundador do Startup DigestKhai lee Ng, investidor na 500 StartupsSimon Cook, da DFJ Espirit) eventos do Startup Chile em BH (ao menos 2), Startup Weekend, Minas Startup Week entre vários outros.

Além de ter experiência ao organizar eventos de e para startups, participei de muitos. Destes mesmos meetups que mencionei agora, eventos como CASE (fui nas primeiras 2 edições), Circuito Startups (sim, já fui como participante e como mentor), Startup Weekends (vários em BH, Vitória, Londrina), Demo Days do SEED, do Lemonade, Campus Party Startup & Makers, entre tantos outros.

Somado a isso, eu falo com alguma frequência (tento não passar de um por mês) em eventos sobre Growth Hacking (o último na Gama Academy, formação de jovens para trabalhar em startups), Publicidade – minha formação acadêmica (o último em Santa Maria, na Universidade), UX/Produto (A última foi para uma startup), dou mentoria (Lemonade BH e Triângulo) e compartilho conhecimento (Workshop ou mini-talks) em aceleradoras. Diga-se de antemão, a maioria de graça.

Ou seja, eu conheço esse meio tanto por organizar, quanto por participar desses eventos como expectador e palestrante. E, baseado nessa experiência que eu tenho, quero compartilhar o motivo de te aconselhar a não frequentar eventos para Startups.

E, desde que comecei o Aio (spin-off do Beved), um Youtube Corporativo (leia mais aqui), minha percepção constantemente é essa que não existe nada mais artificial que eventos para startups. E, incrivelmente, o problema não está no evento em si. Está mais relacionado com as pessoas, seus interesses, como elas se comportam e o que elas falam nesses eventos. E isso muda tudo. Assim, absorva o que te for útil segundo minha experiência e percepção pessoal.

O Empreendedor que não empreende

eventos para startups

Empreendedores são um fenômeno a ser estudado. Tem muito empreendedor que vive de evento para startups. É mentor de Startup Weekend, comparece em todos os Happy Hour do Cubo, vai na festa de abertura do Google Campus, tem stand na Campus Party Startups & Makers, cava participação na CASE, mas seu produto não passa de uma landing page há muitos meses ou está em marcha de caranguejo (só anda de lado).

Além disso, os assuntos principais que você ouve desse tipo empreendedor são:

  1. Não consigo terminar minha idéia porque não encontro investidor;
  2. Apostei todas as minhas fichas na inscrição pra ser acelerado por tal aceleradora, já estou até contando com esse dinheiro;
  3. Não consigo um sócio desenvolvedor que queira trabalhar de graça pra mim;
  4. Aquela aceleradora não me aceitou, mas aceitou o fulano com um projeto ridículo, isso é um absurdo, jogo de cartas marcadas.

Esse tipo de pessoa nunca vai empreender. Ela sempre vai terceirizar suas mazelas para depois desistir e, as vezes, ficar revoltado. E esse cara desiste porque ela realmente não entendeu, não entende e provavelmente não entenderá nunca mesmo que empreender é trabalhar duro, é “se ferrar muito” antes de conseguir alguma coisa, se conseguir. E, infelizmente, os eventos para startups no Brasil são repletos de empreendedores que não empreendem.

Para não ser um empreendedor só de palavra, sugiro fortemente essas 4 leituras, onde compartilho o dia-a-dia de uma startup:

  1. Como e quanto custa começar uma startup
  2. Produto Viável Mínimo (MVP): Não caia nessa lorota
  3. Startups B2C no Brasil já nascem mortas
  4. Desista da sua startup antes que seja tarde demais

Fumaça é regra, fogo é exceção

eventos para startups

Eu não sei se é por inexperiência ou se é o medo de ficar de fora, mas um problema sério que eventos para startups possui é a bendita fumaça. É incrível como aparece, na maioria esmagadora, para não dizer 100%, gente bem de vida, com a startup “bombando”, com tudo bem, tudo certo, tudo decolando, vida linda, paraíso, Vale do Silício, viagens para San Francisco. Nossa, eu perco até o fôlego com isso. E isso assusta. Assusta muito, afinal ou eles estão realmente certos ou eu estou vivendo outro planeta completamente diferente.

E eu explico. Falo isso porque eu, ralando igual um “miserável”, sofrendo para conseguir pagar minhas contas do dia seguinte, por algum momento vendendo o almoço para comprar a janta, devo estar obrigatoriamente fazendo alguma coisa errada. Afinal, como pode TODO MUNDO estar no país das maravilhas e só eu no sertão passando fome, sede, enfrentando desafios e problemas?

Pois é. Se você se identifica com isso é porque já frequentou eventos suficientes, como eu. Agora, eu tenho um cuidado muito grande. Eu dou uma monitorada nessas coisas. Pode ser uma doença, mas eu checo balanço das empresas, coisas do tipo. O que eu vejo com muita frequência é que até alguns caras mais em evidência escondem sua realidade. Falam publicamente que faturam 3x mais que o balanço apresenta e coisas do tipo. Se você saca de métricas, facilmente percebe quando estão falando borracha.

Finalmente, vemos muita fumaça, muito vapor e pouco fogo, pouca coisa verdadeiramente palpável. Pra piorar, quem eu sei que realmente está crescendo, está bem e fazendo um trabalho memorável não frequenta mais eventos assim. Talvez pelo mesmo motivo que acabei de citar.

O investidor que não investe

eventos para startups

Muitos eventos tem aquele formato de “rodada de negócios”. Eu até acredito que possa funcionar, mas nunca vi e não conheço ninguém que tenha recebido investimento ao assentar 5 minutos com um “investidor” em um meetup desse tipo.

Claro que aqui temos 2 coisas. A primeira delas é uma apresentação de um produto que sequer está acabado, não tem clientes, modelo de negócios indefinido. Aí é difícil investir mesmo.

Mas também dá muito investidor que não investe. Ele olha, acha legalzinho o que você está fazendo e sempre solta “me atualize dos seus avanços, vamos seguir em contato”. Para o empreendedor inexperiente, ele acha que isso é quase ser investido. Mas não é não, viu? Essa é apenas a desculpa mais clássica para “olha, eu não vou investir em você nunca”.

A maioria dos eventos que eu já frequentei se depara com esses investidores que não investem. Falam como investidores, se vestem como investidores, frequentam palestras da Anjos do Brasil, mas não investem. Quando você olha a carteira de investimentos dele, não há nada novo há anos.

Se você não tem ideia de quanto custa começar uma startup, sugiro ler esse artigo.

Bebedeira, noitada, drogas e descontrole

evento para startups

Já presenciei uma pessoa dar palestra bêbada/com ressaca num evento. Gritou palavrão, falou embolado, um inacreditável futebol clube. O problema, obviamente, não foi o evento em si, mas o comportamento dessa pessoa que infelizmente reflete muito bem o de muitos entusiastas, simpatizantes que decoram jargões e se julgam empreendedores.

Também já presenciei um palestrante desaparecer. Calma, ele não foi sequestrado. Na verdade, ele “esqueceu” que tinha que fazer uma palestra, bebeu demais e não apareceu no evento. O evento pagou passagem, hospedagem e traslado apenas pra a pessoa divertir em outra cidade.

Durante os eventos, essas pessoas saem de noite, se matam, e, no dia seguinte, estão física e mentalmente mortos. Não conseguem ser mentores, fazem o trabalho de qualquer jeito, acham o máximo as cagadas que fizeram na noite e ainda fazem piada.

Além disso, há aqueles que são comprometidos e ainda removem a aliança do dedo pra curtir a noite. Quando eu vejo esse comportamento, concluo automaticamente que aquela pessoa não respeita nenhum tipo de compromisso ou acordo. Não possui seriedade. Se quebra seu compromisso com a pessoa que prometeu amar, imagina com aquele que dá dinheiro para ele?

Por isso, não pelo meu credo, evito ao máximo beber em público. Não curto. Eu gosto de reencontrar algumas pessoas queridas para mim, mas com frequência me deparo com esse nível de caráter. E, infelizmente, eu não me compactuo com essa forma de agir, o que me levou a me distanciar desse tipo de pessoa e evento.

Curiosidade: Uma vez, um empreendedor tirou a aliança do dedo, ficou chapado de droga e cerveja e saiu catando travesti na rua. Nada contra, mas eu acho que ele apenas se confundiu por estar tão doidão. Eu vi com esses olhinhos que a terra provavelmente há de comer.

Dito isso, sim, eu já vi empreendedor usar drogas na minha frente. Não apenas maconha, mas Cocaína também. Sim, você leu certinho. Quando vi um desses usar Cocaína, dei 5 minutos, levantei e fui embora com outro empreendedor. Foi o cúmulo do absurdo, pois foi em público, numa mesa de bar que qualquer pessoa normal frequenta na Savassi, por exemplo. E o mais triste é que isso é mais comum do que se imagina e vários ainda acham isso cool.

– Cara, você está exagerando.

– Não. Já me ofereceram Cocaína no lobby do hotel também. E eu não aceitei 😉

Caso você esteja buscando ser mais produtivo, como eu também estou tentando, recomendo essa leitura.

Obs: Esse H2 virou “causos”, no finalzinho. Foi mal, não era tanto a ideia inicial :D, mas deu pra entender, né?

Os eventos que não te pagam, mas ganham dinheiro usando você

evento para startups

Uma coisa que eu aprendi é que tempo vale dinheiro. Eu fazia absolutamente tudo sem cobrar nada de ninguém. Só que eu descobri que algumas dessas pessoas estavam ganhando dinheiro e visibilidade às minhas custas. Claro, não apenas de mim, mas de vários outros.

Por um momento, eu até criticava alguns empreendedores que cobravam para palestrar. Mas tenho que admitir que eles estavam certos sob essa perspectiva. Numa lógica simples, esses empreendedores (não todos) entendem que eventos com entrada franca e/ou sem fins lucrativos como Startup Weekend, palestras em escolas e faculdades não se cobra.

Há produtores de eventos sérios e produtores de eventos que são espertos. Esses espertos falam “você vem, palestra e em troca você ganha visibilidade”. Esse é um dos maiores disparates que eu presencio quando falamos sobre falar em algum evento. Esses produtores que são espertos querem ganhar uma grana usando seu nome! Atraem pessoas, levantam um evento, obtém lucro e depois te devolvem um tapinha nas costas.

Já recebi muitas ofertas de parcerias do tipo. Eu palestro/faço um workshop/mentoria e o organizador do evento ganha o dinheiro. Eu entrego o valor, o conteúdo, o produto e o dono do evento é quem passa o chapéu. O pior é que, na inocência, achando que as pessoas só querem o bem do ecossistema, a gente aceita esse tipo de coisa. Mas, com o passar do tempo, fica claro que muitos só querem fazer negócio, dinheiro às suas custas.

E é uma pena que poucos valorizem a prática do win-win. Se eu levo conteúdo de qualidade para um evento pago e que obtém lucro, o mínimo é contribuir comigo também e me remunerar pelo que fiz. Evidentemente, há eventos pontuais que, para o empreendedor, a visibilidade basta e “paga” o tempo investido. Mas são pontuais e exceção a regra.

Se você é um produtor sério que pratica win-win, posso indicar pessoas sérias para você (pode falar, você achou que eu ia fazer um jabá meu aqui, né!). Você pode entrar em contato comigo aqui.

Obs: Eu não ganho nada com isso, só quero ajudar pessoas sérias a fazerem trabalhos sérios e perenes. Quem me conhece de San Pedro Valley sabe o quanto indico e encaminho oportunidades para os bons empreendedores.

Toda generalização é perigosa

eventos para startups

Eu sinceramente não acredito que você deva abolir em absoluto as suas idas a eventos, apesar do título um pouco sensacionalista do artigo (desculpe por isso, mas sou publicitário, daí cada título é uma obra de arte). Mas eu entendo que você e eu precisamos focar muito mais em fazer nosso negócio acontecer que virarmos grandes arroz de festa.

Por isso, se eventualmente vou a algum evento, escolho preferencialmente os eventos que são mais segmentados. Vou para aprender, anotar, etc. Bem nerd mesmo. Se paguei caro, inclusive, vou aproveitar ao máximo.

Seguindo essa linha e respeitando os nichos, recomendaria:

  1. Se você quer melhorar seu negócio de recorrência, o Saastr é seu evento;
  2. Se você quer conhecer coisas novas de verdade, o SXSW é seu evento;
  3. Se você é um Produtor Digital, o Fire é o seu evento;
  4. Se você trabalha com Marketing Digital, o RD Summit provavelmente é o seu evento;
  5. Se você quer conhecer gente nova e só, então o Meetup é seu evento;
  6. Se você está começando e não sabe quase nada, provavelmente o Startup Weekend seja o evento que você está procurando;
  7. Se você trabalha com educação, procure eventos de educação. E assim por diante.

São alguns exemplos que, colocados no momento certo e com o foco certo, passam a fazer algum sentido, mantendo em linhas gerais as restrições aos perfis que citei anteriormente.

Se você conhece um evento sério e focado, compartilhe sua experiência nos comentários!

Conclusão sobre eventos para startups

Na minha opinião, quanto menos eventos você frequentar, melhor. Eventos tiram você do eixo/foco. Você encontra muita gente falando muito. Falando mais do que deveria. E esse ego inflado, essa falsa positividade acaba fazendo mal para quem está ralando pra valer e passando um aperto desgraçado pra fazer o seu negócio virar.

Eu conto nos dedos quantas pessoas, nessas centenas de eventos que já fui, responderam ao serem perguntados pelo seu negócio que as coisas estavam difíceis, que havia dificuldades, etc. 99% das pessoas, da boca pra fora, falam que o negócio está crescendo, que está tudo uma maravilha, que empreender é lindo, que está fechando rodada de investimento, bla bla bla. Feio demais. Essa cultura da mentirinha é uma sementinha do mal filha da mãe. Contamina o ambiente e contribui para essa falação falsa sem fim.

E esse é o motivo nevrálgico que me fez diminuir substancialmente a presença em eventos de startups. É muita fumaça pra pouco fogo. Muita gente procurando atalhos. Buscando benesses. Se vendendo para conseguir algum progresso. Ao ver como muitos empreendedores se comportam, lembro de duas figuras que exemplo ficam muito bem a realidade e prática no meio desses eventos para startups:

eventos para startups

A primeira delas é a indulgência. Tá cheio de empreendedor por aí disposto a pagar um preço por um lugarzinho no céu (sucesso, fama, poder). Eles estão realmente dispostos a abrir mão do controle do seu negócio (famigerado emprego precipitado da expressão “melhor ter 1% de alguma coisa que 100% de nada”), de devolver “favores” para quem conseguir capitalizar seu negócio e coisas parecidas. Querem uma foto com o empreendedor de sucesso. Querem um like, um share, uma consultoria grátis.

No fim, esse tipo de empreendedor quer só o status do “sucesso”. E isso é louco, porque esses empreendedores são tão cegos que não conseguem ver que a maioria dos “empreendedores-ídolos” deles foram construídos com muito PR, Marketing, Maquiagem de contas (o balanço diz uma coisa, a revista diz outra) e trapaças.

tba

A segunda delas é o T-Bag (ou Frank Underwood das startups, como quiserem), do Prision Break. Para quem não se lembra, quando Michael Scofield vai a prisão para salvar seu irmão, ele se depara com um prisioneiro barra pesada chamado T-Bag, que transforma novos prisioneiros em “meninas” dele. Para se salvar do linchamento, roubos, maus-tratos e morte numa cadeia, ele oferecia essa “proteção”. Você se prostituía com ele e, em troca, você estaria protegido. A condição era andar segurando o bolso da sua calça, mostrando que você era uma de suas “meninas”.

Tem muito empreendedor disposto a se prostituir em troca de clientes, dinheiro, viagens. O que é bem triste. Por outro lado, também tem muito empreendedor T-Bag. Esses usam seu PR, fee mensal de advogados, esperteza e promessas falsas para fisgar os novinhos (iludidos pelos cantos da sereia) e sugar sua energia, idéias, produto, tudo. Cuidado com isso, é muito sério.

Eu gosto de encontrar pessoas. E não acho devamos parar de ir em todo e qualquer evento por causa da nocividade do ambiente de empreendedorismo. Precisamos na verdade é ficar bem espertos e não nos deixar enganar por essas coisas todas. Os Meetups são bem legais para rever os poucos amigos que você fará nessa jornada empreendedora, encontrar conhecidos e aquecer alguns contatos. Sempre com muita estratégia e foco, vulgo “quem é vivo sempre aparece”.

Eventos que ofertam conteúdos de qualidade para aprendizagem real também devem ser valorizados. E, se tem valia para você, não hesite em comparecer. Só não se esqueça que o foco principal é aprender. Então aprenda, anote e volte para seu negócio aplicando tudo que assimilou.

Se você se interessar, estou escrevendo artigos sobre o dia-a-dia de uma startup. Até aqui foram 4 artigos e você pode conferí-los a seguir:

Caso você tenha se sentido um pouco desanimado com meu texto, passe aqui nesses TEDs pararecuperar suas energias 😉

Sobre Matt Montenegro

Matt Montenegro é fundador do Barba Ruiva, que funciona como um guarda-chuvas para o Beved, um mercado livre de cursos online, o Vida de Startup, este blog onde é escritor e criador e o Aio, um YouTube corporativo para base de conhecimento, comunicação interna e mini-treinamentos para empresas. Também é formado em Comunicação Social(Publicidade) na Newton Paiva, cursou a Pós-Graduação em Design de Interação na PUC e especialista em User Experience. É membro ativo do SanPedroValley, comunidade auto-gerenciada de startups da região metropolitana de Belo Horizonte.

  • Em abril fui pra São Paulo ficar 20 dias com objetivo de fazer networking em eventos de startups. Logo na primeira semana, na metade do terceiro evento que participei decidi pegar um Uber e ir embora trabalhar na minha startup. O que me abriu o olho foi um cara muito “escroto” que conversei, ele se destacou em meio aos outros, mas não passava de uma versão multiplicada de todos ali, inclusive eu, e eu definitivamente não queria ser como ele. Vi que minha startup, ainda em desenvolvimento, não iria sair do lugar enquanto eu ficasse frequentando meetups onde cada um só quer falar de si e sua startup e eventos que querem te vender uma aceleração, ou algo do tipo. Conheci na internet pessoas que me ajudaram mais que nestes eventos.

    • @GuimaFerreira:disqus, uma coisa que eu gosto de BH é que você pode ligar pra o CEO de várias startups daqui e marcar para aprender algo específico que os caras dominam. Isso mudou completamente minha vida e a forma com a qual eu interajo com essas coisas.

  • Thiago Cabral

    Apesar de não ter a mesma experiência, concordo plenamente. Na verdade tenho formação de gestão (e também sou publicitário) e tomei conhecimento do mercado das startups a coisa de uns 3 anos. Eu sugiro aplicar todo o comentário desse texto, além dos eventos, para o contexto global deste mercado. Lembro que, logo no começo, vi investidor oferecendo ambiente de negócio e tudo mais em caso de seleção cujo processo necessitava ser pago e depois você ainda tinha que pagar um tipo de hospedagem do seu negócio para utilizar infra dos camaradas. Mercadinho nojento esse. Muito papo e gente mal-caráter (além dos milhares de bobos que acham que CEO de uma bobagem qualquer é alguma coisa mesmo). Quer mesmo empreender? Dedica e estuda (e muito). Essas coisinhas de moda são sempre assim: caras e logo logo tem outra para substituir (e para você pagar).

    • Exato, @disqus_9ILukBMxBr:disqus. Concordo 100% que o caminho é dedicação e muito estudo.

  • Reynaldo Barros Junior

    Seu texto é excelente. É um tapa na cara do empreendedorismo ostentação. É incrível como este tipo de “empreendedor” acaba inibindo atitudes e iniciativas legítimas em prol da criação de negócios enxutos e inovadores. Eu mesmo, daqui de minha caverna fico só olhando! Sempre tive muita resistência a eventos, porque sempre achei 80% espuma. Um monte de caras querendo um ser melhor do que o outro, enamorados com seus egos que mal cabe em si. Estou iniciando algo com caráter de reality show voltado a STARTUPS. O negócio é doido! Não tem nada de 375 dígitos em 24 horas. Empreender de verdade é FORDA! Não é brincadeira! Matt – já irei pegar todos os seus contatos. Teu texto me cativou! Espero poder trocar mais ideias com você!

    • Obrigado por acompanhar, @reynaldobarrosjunior:disqus, conte comigo!

  • Mesmo vale pra ficar procurando aceleradoras. As aceleradoras daqui de BH são as piores inclusive. So querem ganham mídia em cima da sua startup. Um abraço pra Fumsoft inclusive.

    • @vinguan:disqus, não participei de todas as acelerações de BH. Conheço a fundo o SEED. O programa é muito bacana, mas em termos de aceleração, na minha opinião e para minha startup, não funcionou. Eu acredito mais em trabalhos que levem em conta a heterogenia do grupo, o foco essencial em vendas, etc. Por isso não deu muito certo pra gente. Soube que na 2ª rodada foi bem melhor. E agora, na 3ª, parece que estão buscando exatamente esse foco, o que vejo com bons olhos.

  • alffreitas

    Eu não sou frequentador assíduo de eventos, mas já vi alguns com a galera falando maravilhas de sua startup e poucos casos de pessoas comentando sobre dificuldades.

    Se eu falar das minhas dificuldades dos últimos anos, eu acho que até ganho um abraço de alguns, mas normalmente não frequento muitos eventos e, nos que frequento, eu prefiro ouvir.

    Parabéns pelo texto, boa reflexão.

    Abraços
    Alfredo

    • Obrigado por acompanhar, @alffreitas:disqus. Também vejo poucos falando das dificuldades. Me parece que as pessoas se sentem diminuídas quando contam que estão enfrentando dificuldades. Talvez isso ocorra por esse bafo e vapor que geram por cima e acabam constrangendo as pessoas de bem a falar a real, pois ficam com medo dos críticos de plantão.

  • Nárnia Lellis

    Parabéns pelo texto Matt. Adorei recebe-lo por e-mail! Comecei a participar dos eventos de starup em 2014 e não precisei de muito tempo pra perceber algumas dessas questões. Logo parei de frequentar a maioria… Hoje toco meus projetos com esforço e muito estudo, sem acreditar em fórmulas mágicas.
    Adoro seu blog, muito relevante 🙂

    • O caminho é esse mesmo. Também parei de frequentar a maioria para, inclusive, focar ainda mais nos meus projetos. Obrigado por acompanhar o VDS! 🙂

  • jonesgen

    “E é uma pena que poucos valorizem a prática do win-win. ”

    Perfeito. Ia fazer um texto enorme contando como tive um caminho parecido. A diferença é que não tive essa contestação, mas sempre soube que aqui se vive de modinha, que se fala em mudar, mas não se muda. Temos que ajudar todos a quebrar o paradigma do status, a esquivar do papo de vendedor e premiar quem rala de verdade, na real, se coloca como aprendiz. Tenho fé que é esse profissional – ou dono de ideias – que vai pra frente. Parabéns pelo texto.

    • Concordo com você, @jonesgen:disqus. Obrigado por prestigiar o VDS com sua leitura.

  • Erick Carvalho Campos

    Mais um excelente texto. Merecia estar no Nerdcast de empreendedorismo.

    • Obrigado por acompanhar e pela sugestão, @erickcarvalhocampos:disqus 🙂

  • Teco Teco

    Sim. Participei de 2 eventos de start up. Mas foi o suficiente pra sacar que sim existem mentiras sendo ditas, existem pessoas que vivem dos eventos e não dos empreendimentos, e existem muito pouco ou nenhum negócio sendo fechado. Vi palestrante com logotipos de mais de 50 multinacionais parceiras de sua startup que é difícil acreditar que seja verdade, e se for, que o cara ainda teria tempo de estar ali de graça. Além disso, quando se fala sobre o investidor de verdade, que está disposto a analisar e fazer um investimento anjo que seja, é preciso desmistificá-lo. Toda empresa de sucesso conta que recebeu “não” como resposta de trocentos investidores antes de fazerem muito sucesso. Investidores são as pessoas mais vacilonas do mercado, as que mais perdem oportunidades. Investem errado em quem joga um 171, em quem faz um business plan mais bonitinho, enquanto perdem oportunidades de ouro em empresas early-stage com potencial absurdo mas que ainda não bombaram, e claro, por isso estão buscando investidores. É preciso desmistificar a ideia de que os investidores são pessoas espertas. Não são, muito pelo contrário. Tem centenas de exemplos provando isso.
    Assim como os investidores bilionários do mercado de ações não ficam dando palestras e cursos por aí, os bons empreendedores e investidores do mercado de startups não ficam participando de eventos a torto e a direito. Tem muito picareta nessa área com muito 171 participando de evento todo dia só pra ter contato e fazer nome, mas quando vai ver de verdade, seu negócio não é viável mesmo recebendo investimento ou o cara fez um investimento qualquer e é tido como investidor palestrante. Conselho aos investidores: saibam filtrar o 171 e analisem o negócio e seu potencial. Esqueçam esse blá-blá-blá de curso, business plan…Mark Zuckerberg primeiro pensou em não por propaganda no facebook, depois decidiu por pra ajudar a pagar seu aluguel de 85 dólares. Provavelmente todos os investidores teriam recusado seu projeto do facebook porque ele ainda não era formado, não tinha currículo e nem business plan. O airbnb recebeu não de 8 grandes investidores seguidos antes de receber um sim. Oito vacilões. Todo dia tem eventos de startup com uns 20 grandes profissionais e investidores. Quase nenhum negócio é fechado porque eles não querem early stage. Ora, quando a empresa não for mais early stage ela não precisará de investidores. E quando investem ainda deixam passar as boas e investem em quem joga o melhor 171 com o melhor modelo de canvas ou planilha de excell. Investidores erram e muito.
    Outra coisa que ainda não entendi. Se o investidor fosse tão esperto assim, por que ele não identifica ao menos uma startup boa e compra 100% ou 80% da empresa por 2 milhões de reais? O cara poderia se aproveitar de ser rico enquanto os donos são meninos pobres que aceitariam o negócio. Mas não. Ele acha a startup ótima mas só quer adquirir 10% porque precisa dos meninos para tocá-la? Por que não contratar um executivo qualquer com MBA na FGV ou os próprios meninos como CEO? Por que não comprar mais de 10% enquanto ainda está barato? Só querem comprar 10% e mesmo assim quando o negócio já estiver acontecendo com muitos downloads e alguma receita começando a entrar. Eu até entendo. Mas se eu fosse muito milionário, me aproveitaria dessa condição. No fundo os caras não são tão ricos assim e nem estão dispostos a investir. Mas quando a startup estiver nesse ponto, muitas vezes não precisa mais de investidor porque gera receita, ou prefere fazer um empréstimo em algum bando de desenvolvimento, ou crowdfunding.
    Se tem tanto negócio sendo realizado e tanta gente sendo investida, por que nunca vemos propaganda de uma startup ou aplicativo na televisão ou na globo.com ou uol.com ou principais mídias? Sim porque o único gasto que eu teria com minha startup além do operacional é com propaganda.
    Enfim, talvez esteja exagerando um pouco, mas com um fundo de verdade. Mas sim, temos que aproveitar tudo que é dito, mas ao mesmo tempo desconfiar de tudo que é dito pra saber o que interessa ser ouvido.

  • Jeferson

    Recomendo esse evento sobre Educação e suas vertentes, pois além de ser gratuito, é online:

    http://www.eadsummit.com.br

  • Willer Reis

    Sou novo no blog e conheci por um acaso através de uma leitura no Vai Mais Longe.
    Já li 5 textos só hoje e estou achando sensacional suas dicas e a maneira simples e popular como os temas são abordados, demonstrando uma forte experiência.
    Espero agregar mais conhecimento para iniciar meu projeto. Obrigado por contribuir para este ecossistema e contribuir com dicas para a vida.

    Forte abraço.

  • Marcelo Yukio Outa

    Caraaa… Parabéns pelo texto e por compartilhar suas experiências.
    Obrigado.

    Eu sempre aproveitei e foquei nas coisas boas que os eventos proporcionam (dos poucos eventos que tive a oportunidade de participar). Eu sempre tive ciência de que tem gente aproveitadora em qualquer tipo de ambiente.

    Entendo que em qualquer evento podemos aprender, mas, se e somente se estivermos focados no aprendizado… E mais importante, estarmos cientes de que existe gente de bem e também gente aproveitadora.

    Eu não conhecia essa prática do win-win, gostei muito de aprender isso. Tenho a ideia de compartilhar aquilo que venho aprendendo sem intenção lucrativa. É algo que vou adotar, saber identificar eventos sem fins lucrativos em que todos ganham para compartilhar minhas experiências.

    A lição mais importante que estou aprendendo é ter mais ação, fazer fogo de verdade em vez de somente fazer fumaça…

    Valeu!

  • Renato Borges

    Simplesmente FODA teu texto Matt. Te acompanho faz algum tempo e vou anotar seu contato aqui. Abraço e parabéns pelo blog.