De baleiro na escola a empreendedor de uma startup

Vender balas foi o fruto do meu primeiro “pivô” como empreendedor. Antes, vendia deliciosas pizzas(Hut) requentadas que haviam sobrado do jantar de domingo na casa dos meus pais. O problema é que eu ganhava apenas R$1,50 por fatia e só fazia dinheiro às segundas. Precisava expandir meu negócio. Foi aí que começou minha história como baleiro.

2003. Acordava todos os dias antes das 6h para conseguir chegar no horário no Cotemig Floresta. 3503A lotado, ficava sem passar na roleta até a Rua dos Caetés, um ponto antes da minha decida. Além de mim, 1 saco de lixo abarrotado de salgadinhos Amendupã e uma bolsa de viagem munida de balas, pirulitos, chocolates e até paçoca. Imagine a luta para me manter de pé no saculejo do coletivo. Aprendi a andar de ônibus sem me segurar em nada.

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Meus ombros nunca doeram tanto. Era uma caminhada longa da rua Guaicurus até o colégio. Chegando lá, enquanto poucos pensavam em estudar – imagine a situação para um vestibular de um aluno de terceiro ano que só estuda português e matemática – eu me organizava para vender balas e derivados, mesmo a contra-gosto dos professores.

Estava tudo tão bom, vida bela, negócio prosperando, até que veio a bomba: A diretora da escola convidou meus pais para uma conversa sobre mim. Ao contrário de reclamações sobre comportamento, o que era de costume, o tema da conversa foi concorrência desleal. O sucesso da minha venda clandestina de junkfood estava causando um rombo no orçamento da cantina da escola(na época, só havia uma).

Naquele momento, a vida passou diante dos meus olhos. Imaginei que nunca mais venderia aquelas porcarias cancerígenas para alunos que saíam de sala no meio da aula só para comprar algum doce na sala do 3°A, onde eu estudava. Pensei que voltaria a correr para a mesa de totó – o mais perto de uma quadra de futebol que o Cotemig já chegou – para jogar ao menos 1 partida durante o recreio.

Em meio ao perigo que meu negócio enfrentava, tive uma sensacional idéia. Sugeri uma conversa com a “Dona” da Cantina para tentar chegar num acordo. Dito e feito. Numa conversa sedutora, munida de muitos elogios aos salgados e quitutes de sua banca, consegui um acordo de vender apenas produtos que a senhora não vendia.

Graças ao ótimo relacionamento com os disciplinários, conseguia manter minha venda nos recreios em uma parte das escadarias, mas o movimento era tão grande que os alunos não conseguiam chegar as suas salas. Antes que essa situação me complicasse, “contratei” um amigo de outra sala para dividir as vendas comigo. Assim, com 2 pontos de venda, aumentamos a receita e também diminuímos a concentração em um só ponto das escadas.

Foi um ano dourado. Aprendi muito. As vezes, sinto saudades da coragem e perseverança que tinha nessa época. Comecei vendendo balas por necessidade. Terminei fazendo por amor. Entreguei este legado ao meu amigo, que seguiu lucrando mais de R$100 por dia apenas vendendo balas nos recreios do Cotemig.

Esse foi meu pontapé inicial. E o seu?