Como realizar Hackathons pode mudar completamente a cultura, inovação e o futuro da sua empresa

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Eu amo hackathons. É por isso que eu organizei algo perto de 40 hackathons no Facebook nos últimos 7 anos. No início, eu fazia isso simplesmente porque eu curtia muito a energia de todas aquelas pessoas e a liberdade de explorar idéias fora do escopo do meu dia-a-dia de trabalho. Ao longo do tempo, porém, esses hackathons se transformaram de um pequeno grupo de 20 pessoas em eventos “extracurriculares” a uma parte majoritária da cultura do Facebook. Escalar nossos hackathons para manter o crescimento do Facebook foi muito difícil e constantemente nós tivemos que pensar e experimentar formatações para ter certeza que eles permanecessem identificados com a empresa. Ao mesmo tempo, foi através dessa tentativa de capturar, reforçar e ampliar essa mágica que transformou esses hackathons originais em algo tão especial que me fez perceber que estes hackathons, neles mesmos, eram uma maneira excelente de proteger nossa cultura a medida que íamos crescendo.

1. A pressão do prazo alimenta a inovação

A maioria das idéias morrem em estágio embrionário porque as pessoas que abrigam a idéia tornam-se desencorajados quando percebem o enorme número de passos necessários para, de fato, fazer uma idéia se tornar realidade. Isso faz sentido, não é mesmo? Uma ótima idéia sem limitação de tempo constantemente se torna em algo que nós podemos deixar para depois. Claro, como todos nós sabemos, raramente isso acaba acontecendo. Essa é a beleza da força motriz de um hackathon: Não existe depois. O fato que há apenas um tempo restrito desde o início de um hackathon até o estágio de protótipo te força a começar com uma mentalidade oposta. Ao invés de prometer a si mesmo que você irá trabalhar naquela idéia depois quando você tiver tempo para aperfeiçoá-la, você é forçado a trabalhar com seu time para construir um produto minimamente funcional que seja capaz de se provar viável ou não. Possuir apenas algumas horas para fazer algo é algo grandemente esclarecedor. Esse negócio vai funcionar ou não vai?

Essa simples conferência mental é inacreditavelmente poderosa porque ela força você a fazer difícieis escolhas e constantemente encoraja você a realmente ser criativo em como fazer as coisas realmente funcionarem. Restrições são um multiplicador de força notável para a inovação.

2. Auto-Gerência é escalável

Antes de dar início no hackathon, eu sempre faço páginas de documentação (wiki mesmo) ou compartilhar um doc com um espaço para as pessoas colocarem suas idéias e listar quais tipos de habilidades o time delas está procurando, como por exemplo: desenvolvedor backend ou mobile, designer de produto, etc. Em seguida, no e-mail de início do hackathon, sempre há um link para esse documento para que as pessoas possam escrever essas suas idéias.

hackathon_facebook

Um benefício importante é que pessoas que não tem sua própria idéia ainda sim podem se juntar a algum time ou projeto com idéias de seu próprio interesse. O ato de formar pequenos times e de rapidamente juntar idéias, desenhar coisas conjuntamente e trabalhar em problemas em tempo real é como jazz: encoraja profundamente o improviso e espontaneidade. Esse ritmo frenético permite que times sejam melhores que a soma das partes e isso reflete em todos os outros aspectos do trabalho conjunto. Quando você caminha por um hackathon, você sente isso. E isso é maravilhoso!

Hackathons encorajam de forma orgânica a construção de uma cultura e colaboração dentro de uma empresa sem a necessidade de uma guia diretiva de cima para baixo (hierarquicamente). Isso é crucial, porque cultura não é apenas algo que você pode prescrever e pronto. A partir do momento que os times começam a se encontrar e colocar suas ideias para fora isso reforça a importância de agir com priorização e lembra também que veteranos e novatos podem mover-se rápido e construir coisas conjuntamente.

3. Confiança e empatia criam velocidade

O auto-gerenciamento orgânico resulta em pessoas de toda empresa conhecendo novas pessoas e construindo conexões que eles jamais fariam em outra realidade. A medida que esses times multi-funcionais trabalham juntos, pessoas se conhecem melhor e também passam a construir amizades enquanto desenvolvem um entendimento bem melhor e mais aprofundado a respeito do que outros times e pessoas fazem dentro da empresa. Na minha experiência, é essa exposição que constrói os laços sociais que produzem confiança e empatia (identificação com outrem) além de criar caminhos alternativos de compartilhamento de informação que fazem empresas serem mais rápidas e ágeis em fazer as coisas acontecerem de fato (get things done).

Times que não se conhecem pessoalmente não trabalham em conjunto com a mesma eficiência que times que se conhecem melhor trabalham. Antes do hackathon, um desenvolvedor frontend pode pensar “Coordenar operações nesse projeto vai ser um saco”. Depois do hackathon, esse mesmo engenheiro está mais tentado a pensar algo como “eu vou procurar Fulano e ver como a gente pode fazer isso funcionar mais rápido”. Construir confiança durante os bons momentos ajudará sua empresa a lidar melhor nos maus momentos porque as pessoas sentirão uma conexão maior com seus colegas de trabalho e ambos irão se ombrear sobre esses relacionamentos.

4. Arrisque tudo, vençam juntos

Pessoas que arriscam sabem do risco de falhar. Hackathons são incubadores de aceleração de falhas. Normalizando a falha, nós encorajamos o ato de arriscar. Hackathons ajudam no ensino ao seu time que falhar é uma coisa boa e que é o estalo para a inovação. Afinal de contas, você não consegue chegar naquela incrível idéia sem explorar centenas ou milhares de idéias “ruins”. Quando pessoas trabalham em idéias pelas quais são apaixonadas (versus performance sendo medida) eles irão frequentemente a novos caminhos. Algumas dessas expedições sem limites se pagarão com uma idéia verdadeiramente revolucionária que irá transformar completamente o curso em que a empresa está operando (Eu vi isso acontecendo e é realmente sensacional).

A maioria das idéias em um hackathon não resultam em uma funcionalidade matadora ou numa tecnologia disruptiva – e isso está 100% ok, porque o ponto de ter um hackathon é dar suporte a uma consistente experimentação sem medo de abraçar as tentativas frustradas e a constante iteração. E, enquanto esses raros e belos momentos “ACABOU, É TETRAAAAAA!!” são fantásticos quando acontecem, você, sem dúvidas, verá milhares de descobertas menos óbvias – mas igualmente importantes – que resultarão em times mais entrosados e unidos com uma cultura de inovação cada vez mais enraizada. De qualquer forma, a jornada é recompensada (além do mais, sempre damos novas camisetas de graça).

5. Código vence argumentos

Frequentemente na vida, argumentos são vencidos pelos que falam mais alto ou pelos que estão mais dispostos a enfiar suas colocações goela abaixo. Graças a Deus, em uma empresa com engenheiros, palavras não são maiores que um código. Hackathons transformam ótimas idéias em realidade através da execução no aqui e agora. Hackathons atropelam a força da hipótese e foram idéias ou a falhar ou a funcionar. Como hackathons são horizontais e fluidos, eles criam um espaço seguro para pessoas construírem e apresentarem idéias independentemente de pontos de vista. Pegue o Chat do Facebook como exemplo.

No início, havia um monte de pressão negativa sobre construir um chat dentro da experiência de uso do Facebook. E, ainda bem, um pequeno time, em um hackathon, o construiu e provaram que os relutantes estavam errados. Alguns anos depois, aquele serviço se tornou chave para centenas de milhões de pessoas se comunicarem.

6. Seja curioso, mantenha-se divertido

Nem todas idéias precisam estar focadas em grandes mudanças. Na verdade, focar excessivamente em mudanças de alto impacto o tempo todo pode cegar você para idéias tão óbvias que já estão debaixo do seu nariz. Criar espaços para pessoas experimentarem suas idéias e se divertirem juntas despertam essa parte da curiosidade no nosso cérebro que era a mais ativa quando éramos crianças.

Eu estou no Uber hoje e já tivemos 2 hackathons “oficiais” centenas de hackathons informais. Estou organizando meu primeiro hackathon aqui agora e eu já posso sentir a energia da criatividade de todo mundo no escritório. Eu mal posso esperar para ver as pessoas criando e como esses mesmos hackathons irão moldar a cultura nos anos que virão. Estou muito otimista que no Uber, assim como no Facebook antes, esses hackathons irão guiar o trabalho em equipe, fortalecer a cultura e nos ajudar a alcançar o futuro mais rápido.

No Facebook, nós hackeávamos para conectar o mundo e no Uber nós hackeamos para se mover nele. Espero que você se junte a nós nessa.

Artigo traduzido e adaptado de Pedram Keyani, Engineering Director of growth no Uber, ex-engineering director no Facebook.

Sobre Matt Montenegro

Matt Montenegro é fundador do Barba Ruiva, que funciona como um guarda-chuvas para o Beved, um mercado livre de cursos online, o Vida de Startup, este blog onde é escritor e criador e o Aio, um YouTube corporativo para base de conhecimento, comunicação interna e mini-treinamentos para empresas. Também é formado em Comunicação Social(Publicidade) na Newton Paiva, cursou a Pós-Graduação em Design de Interação na PUC e especialista em User Experience. É membro ativo do SanPedroValley, comunidade auto-gerenciada de startups da região metropolitana de Belo Horizonte.