Como eu consegui um emprego no momento mais crítico da minha vida

Tempo de leitura: 20 minutos

Como conseguir emprego é uma pergunta desagradavelmente comum nos últimos meses aqui no Brasil. Mas meu objetivo não é ficar choramingando a falta de empregos, que é uma realidade, ou xingando isso ou aquilo. Eu quero compartilhar, de forma super simples, como eu consegui um emprego numa agência de publicidade num momento extremamente crítico da minha vida e te mostrar como essa mesma história, talvez, possa ajudar você a sair dessa situação desagradável e voltar logo a trabalhar.

Ficar desempregado é muito ruim. Num momento de crise, é pior ainda. Conheço amigos queridos e que são muito bons no que fazem e que acabaram perdendo emprego por causa da forte crise que o Brasil enfrenta nestes últimos anos. Eles perderam o emprego porque as empresas onde eles trabalhavam precisavam muito economizar para não acabarem quebrando, o que as obrigou a se desfazerem dos seus melhores (e/ou mais caros) funcionários.

Uma das coisas desagradáveis de ficar sem emprego, para mim, é a sensação de que você não é competente. Ficamos desanimados, meio “depressivos”. E isso vai piorando a medida que o tempo passa e o novo emprego não chega. Há momentos de tamanho descrédito que o desespero bate.

Eu sei bem como é isso. E, justamente por saber como é viver um momento delicado assim, vou contar uma história que vivi. Caso você esteja passando pelo que eu passei, espero que este artigo simples possa te animar e fortalecer para seguir perseverando em busca de uma recolocação no mercado.

Como consegui emprego quando eu mais precisei na minha vida

como conseguir emprego

Entre 2010 e 2011, passei pouco mais de 7 meses desempregado. Precisei gastar todas minhas economias para sobreviver. Para agravar, eu era recém casado. Fiquei completamente endividado e o dinheiro (o pouco que poupei e todo tipo de crédito) acabou completamente. No dia que eu gastei o último real possível, consegui um emprego numa agência de publicidade. E são os detalhes dessa história que eu quero compartilhar com você:

A startup que onde eu trabalhava quebrou

Eu fui convidado para trabalhar numa startup logo depois que eu sai da faculdade. Foi uma experiência incrível. Conheci muita gente bacana com quem eu sigo aprendendo muito até hoje. Mas nem tudo foi lindo, maravilhoso e perfeito.

Para trabalhar nessa startup, eu tive que topar ralar sem carteira assinada. Todo mundo era contratado dessa forma. O salário não era lá essas coisas, mas dava pra pagar as contas. Eu ainda era solteiro, a oportunidade era legal e não hesitei em topar. Como disse, foi uma experiência fantástica, apesar desses pontos mais complicados.

E o pior problema não foi a falta da CLT (não tive FGTS nem seguro desemprego). Foi descobrir que o dinheiro da startup acabou assim, da noite pro dia. E, obviamente, isso significou perder meu emprego. Num primeiro momento, fiquei bravo. O que é até compreensível, afinal quem nunca ficou meio bravo ou chateado quando foi demitido sem justa causa ou algo parecido? Junto comigo, saíram quase todos os amigos que estavam trabalhando no projeto. E, como disse logo antes, saí com uma mão na frente e outra atrás, afinal não tinha carteira assinada, acerto, nada.

Eu tinha um casamento pela frente

Pra deixar essa história mais complexa, eu tinha um casamento marcado. E a demissão ocorreu poucos meses antes do meu casamento. Eu poderia até desmarcá-lo, o que cogitei junto com minha esposa naquele momento. Porém, como meu casamento foi no Chile (minha esposa é chilena), a complexidade desse cancelamento seria muito grande. Assim, acabamos mantendo o casório, mesmo com a situação adversa.

Com as poucas economias daquele momento, conseguimos terminar de pagar o casamento (foi super barato e simples), fazer a lua de mel (que ganhamos de presente) e voltar para o Brasil. Entre minha saída dessa startup e a volta ao Brasil passaram-se algo como dois meses, se minha memória não estiver falhando demais.

Economias acabaram, e agora?

O tempo foi passando. E as economias que fizemos para o começo do casamento foram derretendo. Não existia estratégia, gestão e planejamento que conseguisse suportar tanto tempo sem emprego, ainda mais logo depois de um casamento. Aguentamos firme outros cinco meses com nossas economias e presentes ganhos, mas, como tudo é finito, o dinheiro acabou.

Parêntesis: Nesse meio do caminho, minha esposa teve seu registro no Brasil feito errado. Isso a impediu, por mais de seis meses, de conseguir trabalho por causa do erro de registro.

O que ocorreu logo em seguida foi o desastre de amadores. Começamos a gastar o que tinhamos no cartão de crédito, afinal era o que havia sobrado. Obviamente, esse dinheiro começou a desaparecer, pois o limite foi chegando e não tínhamos dinheiro para pagar a fatura. Assim, essa estratégia péssima durou pouquíssimo tempo.

A segunda ideia “maravilhosa” foi gastar o cheque especial. Sim, pode me xingar. Mas era o que eu tinha de recurso em meio ao desespero. Afundamos no cheque especial. Usamos até o limite máximo. Só que o cheque especial também já estava praticamente esgotado.

O que a necessidade de sobrevivência faz com você

Eu já estava mandando currículo fazia um tempo. Procurei muito emprego, mesmo. Tudo quanto é coisa. Procurei muito emprego no Brasil e no Chile (mandei mais de 100 currículos por lá). Cara, nenhuma porta se abriu. E, como comentei no início, a falta de resultados me fazia sentir um lixo. Um ridículo fadado ao fracasso. Sério, sem drama. O sentimento de derrota é forte demais num momento desses.

Esse sentimento cresce quando tempo vai passando e a gente não consegue trabalho. O desespero literalmente bate. A gente começa a pensar que o problema está na gente, que a gente deveria ter estudado mais inglês, que a culpa é do fulano, da situação X, etc.

Também começamos a criar teorias da conspiração achando que não conseguimos uma resposta porque tem alguém amarrando boca de sapo com nosso nome, essas coisas. Sim, eventualmente, pode ser que ocorra algo do tipo, ou seja, pessoas desocupadas que tentam te prejudicar. Conheço alguns casos verídicos de situações assim, o que é profundamente lamentável. Graças a Deus, este não foi meu caso.

Finalmente, quando todas as possibilidades de dinheiro acabaram e eu já estava ficando plenamente desesperado, fui chamado para uma entrevista de emprego em uma agência digital. Eu e minha esposa ficamos extremamente animados. Eu fiquei louco de felicidade, era a chance de ouro que eu tinha. Era tudo ou nada. Ou eu garantia esse emprego ou sei lá o que poderia acontecer comigo. Desde que soube da entrevista, passei a tratar essa vaga como “a vaga”.

Bem, o meu entrevistador e possível futuro chefe era de São Paulo. Ele estava em Belo Horizonte para atender um cliente e combinou de me entrevistar no final daquele mesmo dia. O único detalhe é que, este dia particular, era véspera de feriado.

Saí de casa mais cedo para a entrevista, que seria por volta das 18h30, salvo engano. Peguei um trânsito infernal. Daqueles que só acontecem quando você mais precisa chegar cedo em algum lugar. Comecei a me preocupar, porque estava parecendo aqueles dias onde tudo dá errado. Aflição total.

No meio do caminho, preso no trânsito e já em cima da hora, recebi um SMS: “Matheus (sim, esse é meu nome), estou agarrado no cliente. Vou ter que ir direto para o aeroporto. Fazemos a entrevista em outra oportunidade.”

Pronto. Fiquei sem saber se chorava ou me enfiava debaixo de algum carro perto de mim. Eu não sobreviveria mais um mês sem trabalho. Daí, sem pensar, respondi: “Então te encontro no aeroporto”.

Lembre-se, eu estava preso no trânsito e na outra mão do fluxo. Na hora do rush. MUITO LONGE do aeroporto de Confins (quem conhece BH sabe o drama). Era uma missão tecnicamente impossível. Para piorar, meu carro, que estava com a bomba de combustível estragada, não estava com muita gasolina. Como o aeroporto era longe e eu tinha pouco tempo, não sabia se conseguiria chegar lá com o que me restava no tanque.

Arrisquei tudo e fui direto. Por algum motivo, certamente divino, consegui ir muito mais rápido que o normal. Mas, talvez, não o suficiente, pois cheguei no aeroporto faltando apenas 15 minutos para o embarque do meu entrevistador.

Consegui me comunicar com ele por SMS e o encontrei numa mesinha de um café. Nos apresentamos rapidamente. Em seguidam abri meu notebook, mostrei meu portfólio e me vendi com todo meu coração e alma. Contei minha história, fui sincero, agradeci pela disponibilidade e, nesses 15 minutinhos, falei tudo o que foi possível. Sério, coloquei meu coração no negócio com a maior simplicidade e entrega possível.

Eu voltei pra casa, usando só o vapor da gasolina no tanque. Ainda sem resposta. Foram dias apreensivos para mim, afinal é praxe entrevistadores não te responderem e a gente ficar igual bobo esperando uma resposta que nunca virá. Mas, para minha surpresa, dias depois, recebi uma mensagem dizendo que, não apenas pelo meu portfólio, mas pelo empenho e dedicação em correr atrás daquela oportunidade, eu havia sido selecionado para a vaga.

Chorei horrores. De alívio.

Lembre-se. Há muitas formas diferentes e criativas para conseguir um trabalho. Você pode distribuir currículo no sinal. Ir de empresa em empresa com seu portfólio. Você pode mandar alguma coisa criativa para a empresa que está contratando. Enfim, muitas coisas do tipo. O meu exemplo é super simples, mas é para te encorajar a pensar em algo diferente que possa chamar atenção para você.

Lições que eu aprendi

como conseguir emprego

Foram lições duras. Meses de tensão. Não foi nada fácil passar por tudo que passei com minha esposa. E, dessas lições, separei algumas para dividir com você:

Faça uma reserva financeira

Não existe vida sem planejamento financeiro. Faça a partir de hoje. Sério. Aprenda a economizar, mesmo que seja “R$ 1 real” por dia. Mas aprenda a economizar e planejar sua vida econômica. Assim como você precisa cuidar do seu corpo, se alimentar bem, etc; você precisa cuidar da sua carteira.

E aqui, há duas regrinhas básicas, mas incrivelmente ignoradas por nós com uma frequência obscena:

  1. Gaste menos do que você recebe;
  2. Poupe algum dinheiro sempre.

Se eu tivesse poupado mais, talvez não tivesse passado tanto aperto e criado tantas dívidas. Mesmo empegado, demorei um bom tempo para quitar todos os desajustes financeiros que tive por conta dessa falta de planejamento.

Parece bobeira. Mas quando a crise ou um infortúnio bater na sua porta (desejo que nunca aconteça nada com você), haverá algum recurso para, com planejamento e estratégia, te auxiliar nesse momento difícil. Sem isso, você ficará numa situação ainda mais fragilizada, exposta e delicada. Cuidado para não sofrer como eu sofri.

Veja, eu não estou dizendo que você precisa poupar milhares e milhões de reais. O ponto alto aqui é criar o bom hábito de economizar, fazer poupança (e, num segundo passo, até alguns pequenos investimentos). Isso faz toda a diferença. Quanto antes você começar (de preferência antes dos 20), melhor.

Segure aquela grana que você ia comprar de besteira, de bala, etc; e guarde. Vai valer a pena um pouquinho mais adiante. Acredite. O poder deste hábito vai fazer diferença em tudo que você vier a construir no futuro.

Venda bala no sinal, mas não use cheque especial

Não tenha vergonha de fazer freelas, bicos, qualquer coisa que coloque dinheiro em casa. Eu vendia balas na escola, no ensino médio. Houve um tempo em que minha esposa fazia tortas de morango e limão para vender e eu ajudava a fazer as entregas.

Além disso, nós nunca desistimos de fazer as coisas acontecerem. Por exemplo, no ano passado, divulguei no Facebook um post sobre aulas particulares de espanhol (mande uma mensagem para ela caso queria fazer aulas também). Ela conseguiu 10 alunos após uma grande repercução da postagem. E, olha, foi vital para melhorarmos nossas economias naquele momento, por exemplo.

Nós sempre nos unimos e corremos atrás para conseguir pagar as contas. E, claro, desde aquele emprego que consegui, nunca mais usamos cheque especial. Inclusive, cancelamos ele da nossa conta bancária para ter certeza de nunca mais cometer um “sacrilégio” desses. Dívidas nunca mais 😉

Tenha sempre seu currículo/portfólio atualizado

Atualizar o currículo não é apenas deixar seu LinkedIn em dia. Sempre que eu posso, estou lendo algum livro, estudando algo novo. Nós nunca podemos parar de aprender. Passar na faculdade não é o suficiente. Se formar, também não.

Busque atualizar-se no inglês, por exemplo. Há vários cursos gratuitos e de qualidade na internet. Se você tiver algum trocado adquira uma mensalidade (divida com algum amigo se a crise estiver muito brava) baratinha num Beved, Code Academy/Code School, etc. Nunca deixe de aprender.

Parece idota, né? Mas com o passar do tempo e com a falsa sensação de estabilidade nos acomodamos e acabamos ficando pra trás. Não deixe isso acontecer com você.  Assim, siga sempre se atualizando, renovando, lendo coisas novas. E, se possível e em tempo oportuno, compartilhe seus aprendizados com os outros.

Seja sempre verdadeiro e sincero em tudo

Eu já participei de inúmeras entrevistas de emprego. E também já entrevistei dezenas e dezenas de pessoas. Eu sei que bate aquela vontade de dar uma bela envernizada no currículo, usar aquele português do século 14, etc. Mas não faça isso.

Seja verdadeiro, mesmo que custe não se enquadrar para uma vaga determinada. Dormir com a consciência tranquila sempre valerá muito mais.

O que startups esperam de você

como conseguir emprego

Se você é doido o suficiente de querer trabalhar numa startup, deixa eu te contar alguns segredos. Startups, em geral, pagam mal e abaixo da média de mercado. O mundo é assim porque startups tem pouca grana e, por isso, não conseguem oferecer um salário mais interessante. Além disso, pelo seu pequeno tamanho, uma startup não possui (ainda) plano de carreira, setor de RH, etc. Essa realidade só começa a mudar, se mudar, quando a startup desponta e/ou recebe investimento na ordem de milhões de reais.

Outra coisa importante. Sabe aquele escritório bonito, lindo, moderno? Tá ligado na piscina de bolinhas? Então… Isso só é assim para te atrair. Não é porque a empresa é cool, bacana, moderna. É apenas um diferencial competitivo para conseguir atrair mais candidatos que outras empresas. Uma verdadeira estratégia de marketing.

Eu sei, eu sei. Trabalhar num escritório arrumadinho, moderno, etc; é bem massa. Sim, é. E, se todos puderem fazer isso, será maravilhoso. Nada como trabalhar com dignidade. Ao mesmo tempo, não sejamos bobos. Tudo é feito por uma razão e, obviamente, um escritório lindão não é apenas satisfação pessoal dos fundadores. Isso faz parte de uma ótima estratégia de aquisição de colaboradores e, claro, não há nada de errado nisso.

Cultura e valores

Não existe como conseguir emprego sem que você tenha bons valores. Muita gente finge que tem. Muita gente, sequer finge. E uma boa cultura e valores faz diferença demais. Inclusive, em se tratando de startups, contrata-se mais pela boa cultura e valores que por aptidão técnica.

Sim, a habilidade vale muito. Mas o que diferencia uma pessoa da outra é a cultura e valores. Os princípios. Estes mesmos princípios, de forma geral, consistem em ser uma pessoa honesta e verdadeira, cordial, que joga pelo time, etc. Essas coisas que parecem #mimimi de RH, mas que são, de fato, essenciais.

Se você tem dificuldade em acordar cedo, é demasiadamente sendentário, se alimenta mal, não lê, não estuda, chega atrasado e sai cedo, não realiza suas tarefas no prazo… bem, se você torceu o nariz para tudo o que eu acabei de falar, corre o risco de você ter sérias dificuldades em conseguir uma boa oprotunidade em sua carreira profissional. Explico:

A alimentação e o exercício, por exemplo, fazem diferença para o bom funcionamento do seu cérebro. Para a criatividade e resolução de problemas. A leitura de artigos, blogs, livros, etc; fazem diferença na aquisição de novos conhecimentos, pesquisa e fundamentação das decisões. Cumprir suas tarefas dentro do prazo é o mínimo que devemos fazer, seja no âmbito pessoal ou profissional. Bem, é chover no molhado falar isso. Mas tem muita gente que acha, até hoje, que isso tudo é apenas idiotice. E eu te garanto: Não é bem assim.

Se quiser ler mais sobre cultura e valores, este é o artigo chave para aprofundar no tema.

Comprometimento e vontade

Uma das maiores desgraças do universo é trabalhar com gente que vive reclamando. Nosso Senhor amado do céu. Nu. É difícil demais. Além dos reclamões, tem gente que faz tudo com má vontade. Parece que a pessoa está te fazendo um favor enorme em simplesmente cumprir a sua obrigação para a qual foi contratada. Sério, esse tipo de coisa é inaceitável.

O mínimo do mínimo que se espera de alguém é compromisso e vontade. Compromisso para bater no peito e assumir as suas respectivas responsabilidades e vontade (motivação) para realizá-las. Mais uma vez, parece completamente básico e desnecessário dizer isso. Mas não é não, viu?

Plano de carreira

Trabalhar em startup é olhar as coisas para médio e longo prazo. Sua expectativa de salários melhores, crescimento profissional e plano de carreira só virão se a startup seguir crescendo. Portanto, se você ainda está mais “cru”, pode ser uma boa experiência entrar numa startup em pré-investimento ou recém investida para crescer junto com ela.

Mesmo que o plano de carreira não seja tão claro (numa startup nunca é), o fato de ver de dentro um negócio sair de dois funcionários para 50 (ou mais) e de um faturamento irrelevante para centenas de milhares ou milhões é uma experiência fantástica e não existe curso na faculdade que te dê uma experiência como essa.

Mas lembre-se, isso é uma opção e é você quem escolhe. Tem gente que prefere não passar pela montanha russa das startups (além das suas lendas e encantos), ou seja, busca algo com mais “estabilidade”. Não tem nada de errado nisso. Só reforço esse ponto para que você tenha suas expectativas bastante alinhadas e não se surpreenda negativamente com esses aspectos presentes em uma empresa nascente.

Concluindo: Pior que um emprego ruim é não ter emprego nenhum

como conseguir emprego

Ficar desempregado é uma desgraça. Ficar muito tempo desempregado é desesperador. A nossa auto-estima vai a zero. O pior é quando o dinheiro acaba e a gente começa a vender nossos bens. É triste demais. E piora, porque a gente estoura os cartões de crédito, o cheque especial e ficamos completamente atolados. Horrível mesmo. Infelizmente sei muito bem o que é isso e o quanto isso tudo nos aflige.

Mas, apesar desse cenário apocaliptico, precisamos perseverar. Não há trabalho que não seja digno. Seja um freela, seja vender bala no sinal, seja trabalhar no Mc Donalds. O importante é pagarmos nossas contas, conseguir seguir em frente. Não bata cabeça por causa de orgulho! Pior que receber mal ou não trabalhar com o que você gosta é simplesmente não ter emprego nenhum!

Não fique dentro da caixa achando que basta se cadastrar na Catho que um emprego vai aparecer. Corra atrás. Peça indicações. Faça coisas diferentes. Entre em contato, se ofereça. Seja insistente. Mesmo. Não desista. Se um deu errado, vá pro próximo. E só pare quando conseguir.

Repito. Sei que é difícil. Mas não desista. Na pior das hipóteses, pegue o que te oferecerem. Eu odeio trabalhar em agência, mas topei porque era matar ou morrer. Então, respire fundo, desafogue-se e, assim que as coisas melhorarem, busque um salto para algo um pouco melhor.

Na minha humilde opinião, é melhor ter algum emprego, mesmo que pague um salário mais ou menos, que ficar sem nada. Não é fácil, eu sei. Nem justo, provavelmente. Pior, será necessário engolir sapos sem fim. Ainda sim, é menos difícil saltar de um emprego meia boca para outro um pouco melhor que saltar do status de desempregado para um emprego dos sonhos.

Não despreze os pequenos começos, mesmo que seja numa startup pagando salário mais ou menos (não, isso não é um incentivo para aceitar qualquer oferta vagabunda de alguma startup oportunista). Se foi o que te restou, neste momento difícil, vá em frente, dê seu melhor que, em tempo oportuno, ou um plano de carreira ou uma oportunidade melhor vai chegar até você.

Quem trabalha direitinho, com diligência, invariavelmente se depara, de tempos em tempos, com novas oportunidades. Seja uma promoção, seja um novo trabalho mais bacana e com salário melhor. Resta-nos ter paciência para galgar este crescimento, o que muitas vezes não é tão fácil, afinal temos contas para pagar, queremos juntar um dinheirinho e, obviamente, ter uma vida minimamente digna.

Não é fácil, eu sei. Mas siga perseverando.

PS: Se você for de Belo Horizonte, por exemplo, aqui está o link onde eu divulgo as vagas da minha empresa. Caso você conheça um amigo que esteja buscando uma nova oportunidade, pode ser uma boa dar uma conferida aí, pois posto vagas com alguma frequência.

PS2: Só participe do processo seletivo se você realmente tiver identificação com a vaga 🙂

Sobre Matt Montenegro

Matt Montenegro é fundador do Barba Ruiva, que funciona como um guarda-chuvas para o Beved, um mercado livre de cursos online, o Vida de Startup, este blog onde é escritor e criador e o Aio, um YouTube corporativo para base de conhecimento, comunicação interna e mini-treinamentos para empresas. Também é formado em Comunicação Social(Publicidade) na Newton Paiva, cursou a Pós-Graduação em Design de Interação na PUC e especialista em User Experience. É membro ativo do SanPedroValley, comunidade auto-gerenciada de startups da região metropolitana de Belo Horizonte.

  • Guilherme

    Muito bom o Post! Haha que vida dificil a sua em Matt, o quanto de problema você enfrentou não é brincadeira!

    Eu acredito que a única coisa que faltou falar no post é sempre estar procurando emprego, mesmo que você já esteja em um bom. Acredito que a maioria das pessoas só busca quando está desempregada, e as vezes perde grandes chances de crescer por não acompanhar o mercado. Claro que isso não significa que você vai abandonar a empresa que trabalha, mas sempre estar em busca de oportunidades é algo que te valoriza.
    Eu sinceramente acredito que a pessoa também precisa se valorizar, buscando o melhor sempre e não se conformar com o pior!

    • Obrigado, Guilherme! Ainda sim, há muitos que enfrentaram e enfrentam coisas ainda mais complicadas. Não é fácil, eu entendo.

  • Paulo Silva

    Que coincidência…estou nesta situação agora (indo para a terceira Startup)…larguei minha carreira corporativa em 2012 e de lá pra cá, só acumulando aprendizado (mas parece que o mundo só enxerga os fracassos mesmo). Quando entrei neste mundo, não sabia que a tal da monta russa era tão intensa assim…Hoje em dia diria o seguinte para alguém que está entrando neste mundo: Prepare o bolso mas principalmente o psicólogico (nao é tão fácil assim administrar os próprios fracassos).

    • Concordo plenamente. Precisamos ter um forte preparo mental, senão a gente sucumbe mesmo. O próprio corpo precisa de preparação, senão ele não aguenta as fortes pressões.

  • André Norbim

    Muito bom! Também é apropriado para aqueles profissionais sêniores que estão pensando em sair do emprego pois não aguentam mais a empresa onde trabalham. Quer mudar de vida? Quer abrir uma empresa? Quer um emprego melhor? Faça antes uma reserva financeira para o caso de tudo sair errado. Quer ter uma empresa? Certifique se de que sabe gerenciar dinheiro antes. Se vc não consegue pagar suas contas pessoais como vai pagar as contas de uma empresa?

    • Exatamente. Planejamento é tudo. E, abrir um negócio, sim, precisa de dinheiro. Não tem como fazer nada sem uma boa reserva para começar uma empresa.

  • Elizabeth Fernandez

    Nossa sua esposa é demais! kkkkkkkk

    • Também acho <3

  • Marcelo Andriolli

    Muito bom o post Matt!
    Estou na mesma situação, procurando me recolocar no mercado desde Agosto depois de sair da startup que cofundei. Nesse processo tenho buscado não fazer o mais do mesmo, só enviar currículo, tenho trabalhado para organizar o meu portfólio, já que ampliei os meu horizontes e comecei a estudar/praticar em outra área. Além disso tenho buscado comunicar os meu multipotenciais expressão também que eu estou, saca só: https://youtu.be/RIIwG1DnC6E

    Abraço!

  • Tiago Silva Pereira

    😀 Lição de vida bro!!!