A importância de sair da zona de conforto: da timidez à área de vendas

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Quem acompanha minha curta trajetória empreendora desde o início, acaba se surprendendo com o rumo que ela tomou. Sempre fui bastante quieto e nunca fiz o tipo extrovertido, que gosta de falar em público. Até por isso, eu mesmo não me imaginava trabalhando com marketing e vendas.

Mas o destino muitas vezes nos surpreende. Hoje sou partner da Outbound Marketing, uma consultoria focada nas áreas de Outbound, Inbound Marketing e Vendas. Você deve estar imaginando: como e por que uma pessoa introvertida está construindo uma carreira em uma área que não se adequa ao seu perfil?

A resposta é simples. De fato, a nossa essência dificilmente se altera de forma brusca durante a vida, mas é possível aprender a trabalhar fora da zona de conforto se a pessoa realmente quer atingir um objetivo. Digo isso pois, em mais de dois anos de experiência com marketing e vendas, estudei e corri atrás das melhores formas de prospectar, qualificar e fechar négocios.

E nesse tempo, se tem algo que verifiquei é: não é necessário ser um especialista em geração de rapport para fechar bons negócios e montar campanhas de marketing eficazes. Se você consegue gerar resultado baseado em metodologias e processos bem estruturados, é possível se destacar em áreas onde, aparentemente, seu perfil não se adequa.

Mas chega de enrolação, vou contar um pouco da minha história, desde os primórdios, quando trabalhei com engenharia, até a minha evolução nas áreas de marketing e vendas!

De planejamento em engenharia para Outbound em startups

Quando terminei o ensino médio, não tinha noção alguma da área que gostaria de trabalhar. O única coisa que me chamava atenção na época era tomar uma gelada e trabalhar com investimentos!

Mas para investir, é necessário ter dinheiro, algo que um garoto de 18 anos de idade difícilmente possui. Existe até uma frase interessante sobre a entrada do jovem no mundo adulto:

Vocês já perceberam que a vida até os 18 anos é uma versão beta, e depois você tem que começar a pagar para viver?

Com a conta bancária no zero e aprovado apenas para o segundo semestre da UFMG em direito (até hoje não sei porque tentei esse curso), decidi começar a trabalhar na área de engenharia com o meu pai. Ele que é especialista em planejamento, me ensinou a operar as ferramentas utilizadas no setor, como Primavera P6 e o MS Project e por isso, acabei conseguindo um trabalho no setor.

No início, gostei bastante da função desempenhada. Participar de grandes projetos era algo que tinha em mente a um certo tempo, e para um garoto de 18 anos, qualquer experiência profissional contava!

Mas depois de alguns meses, comecei a perder o gosto pelo trabalho que estava realizando. Comecei a perceber que no início fui mais pela empolgação de ganhar dinheiro e fazer parte de algo grande do que pela ambição de me destacar naquela área.

Já bastante desmotivado, decidi pedir demissão e tirar alguns meses para refrescar a cabeça e tomar uma decisão sobre o que eu gostaria de fazer pelo resto da minha vida. Já sabia que não era investimento, acabei me desapegando com o tempo, nem engenharia e direito. Foi então que comecei a pender para o lado do empreendedorismo!

Como o fracasso do Brasil (e meu) inspirou minha carreira

Sei que fracasso é uma palavra muito forte. Mas o que falar desse país grande, cheio de riquezas naturais que não consegue se desenvolver nem por decreto?! Como sempre tive dúvidas em relação à essa pergunta e depois de largar engenharia, não fazia a mínima ideia do caminho a seguir, optei por cursar economia na UFOP.

Na época parecia uma ótima opção: festas, estudo e morar sozinho. Mas após 3 meses e uma greve, não aguentei mais ficar parado, com a vida estagnada. Voltei para BH e fui para o IBMEC.

Foi então que o empreendedorismo entrou de vez nas minhas veias. Quem mora em Belo Horizonte, sabe que o IBMEC é uma das faculdades que mais incentiva os alunos a abrirem seus próprios negócios. Por causa desse fator, me matriculei lá, além é claro, da minha de vontade de cursar economia para entender com funciona a economia de um país;

Depois de um semestre na faculdade, comecei a perceber que o buraco do Brasil é mais embaixo e de fatos as coisas aqui são feitas para dar errado. Logo, com minha pergunta respondida, comecei a focar nos pequenos problemas existentes na sociedade e que eram de fácil resolução. Comecei então meu primeiro empreendimento (e primeiro fracasso). Um projeto de cardápio eletrônico.

Sem conhecimento algum de T.I., Marketing e Vendas, comecei a aprender na marra sobre como montar um negócio. No início, meu foco eram nos entraves burocráticos à minha ideia, como deveria ser estruturado o aplicativo e qual era o melhor discurso para vendê-lo.

Depois de quase 6 meses e nenhum avanço, devido em grande parte à falta de capacidade técnica para “vender” o sonho para um possível sócio da área técnica e pouquíssimos conhecimentos sobre programação, abortei o projeto.

Mas o que esse fracasso me ensinou:

    1. Como constitui um CNPJ: Aprendi da pior forma como a burocracia estatal é lenta e cheia de obstáculos. Quando fui constituir a Outbound, já sabia o caminho que deveria ser percorrido, o que agilizou o processo e nos proporcionou grande economia de tempo e dinheiro;
    2. Eu precisava urgentemente aprender como funcionava a dinâmica de marketing e vendas: Uma boa ideia, por mais que seja promissora, não se vende sozinha;
    3. Conhecer melhor o modelo de negócios de Startups: Montar um plano de negócios era algo demorado e caro de se fazer, logo, buscar uma alternativa era o melhor caminho para empreender;
    4. Sem dúvidas, eu queria empreender 😛

Calejado pela perda de tempo e dinheiro, decidi que o meu foco seria estudar um pouco mais sobre todos esses assuntos para então montar meu negócio. Foi então que começou minha jornada no SEED, Samba Tech e depois, no meu próprio negócio.

SEED, Samba e o tiro no escuro

Todo mundo que já empreendeu passou pela experiência de buscar conhecimento de forma desesperada. Comigo não foi diferente. O maior problema disso é que, sem o direcionamento correto, o tempo de aprendizado aumenta consideravelmente. Como tempo é algo escasso, desperdiça-lo nunca é algo bom!

Na época, já estava bastante desmotivado. Sem o conhecimento necessário, a ideia de empreender estava cada vez mais distante. Mas eis que surge uma oportunidade de ouro: o Vinícius, que hoje é meu sócio, teve um projeto aprovado no SEED, programa de incentivo ao empreendedorismo do governo de Minas Gerais, e me convidou para trabalhar com ele na área de marketing e vendas.

Foi o meu turning point, onde as coisas mudaram de verdade. Teria a oportunidade de ver uma startup ser estruturada desde seu início, além de poder aprimorar quase todos meus gaps com pessoas que já possuíam boa experiência na área.

Nessa época é que fui introduzido nos conceitos de Inbound e Outbound Marketing. Toda a minha visão em relação a forma que divulgações e vendas deveriam ser feitas mudou. Foi o momento que percebi que era capaz atingir bons resultados nessa áreas sem ser necessariamente o cara mais extrovertido do mundo.

Comecei a estudar técnicas de negociação e qualificação, estruturação de processos de marketing e melhor ainda, em vez de ficar preso apenas a teoria, tive a chance de aplicar no dia a dia tudo que estava aprendendo.

Foram 6 meses de muito aprendizado. Infelizmente, por conta de alguns problemas burocráticos, saímos do programa e a ideia acabou não evoluindo. Mas não foi por isso que o sonho acabou!

O Vinícius estava trabalhando na Samba Tech, especificamente com a estruturação dos processos de Outbound e Inbound e me convidou para desenhar e operacionalizar a função de Inteligência Comercial.

Os resultados que colhemos com a Inteligência Comercial foram bem robustos. Entretanto, ocorreram algumas mudanças no time de Outbound e acabei assumindo outras funções: a gestão completa do processo e implementação do processo de SDR.

Na época enxerguei isso como outra excelente oportunidade, mas admito que fiquei assustado. Como eu, um cara de 21 anos de idade, iria gerenciar um time sem ter experiência alguma, além de ter que implementar um processo que apesar de conhecer bem na teoria, não havia visto ainda na prática? Isso porque em meio à correria da época, até “esqueci” do fator não ser extrovertido!

Acabou que assumi o desafio e com o suporte de todo o time, conseguimos implementar o escopo de SDR e aprendi a lidar com algumas nuances de gestão de pessoas e indicadores. Sem dúvidas que o apoio que recebi foi essencial para o sucesso das estratégias que tinhamos planejado. Com direcionamento do Vinícius e ajuda de toda a equipe de Marketing, o resultado final foi excelente.

Por fim, com a sensação de dever cumprido, saí da Samba no início desse ano. Logo após isso, comecei a cogitar novamente a ideia de tentar empreender. Diferente do passado, agora eu já possuía experiência prática para pelo menos conseguir estruturar um negócio minimamente funcional!

Nesse momento que surgiu a Outbound Marketing! Em conversas que tivemos com outros empreendedores, percebemos que eles estavam passando pelos mesmos problemas que nós enfrentamos no início: pouquíssimo conteúdo técnico de vendas em português.

Baseado nessa premissa, estruturamos o blog e começamos a produzir conteúdo. Após 20 dias, já estavamos fechando nosso primeiro cliente e desde então, os meus finais de semana viraram história do passado.

Final da história?

Qual é o resumo da minha jornada até aqui? Tudo que falei no texto nos leva a um ponto: sair da zona de conforto mudou minha vida. Eu poderia ter buscado algum trabalho de escritório ou ter me contentado em trabalhar com engenharia, afinal, eram os caminhos que mais se encaixavam no meu perfil, tanto por facilidade quanto pelas minhas características pessoais.

Mas para correr atrás do meu sonho, mudei de direção e me situei a quilômetros da minha zona de conforto e, de fato, posso dizer sem receio que os dias de stress somados à dificuldade para lidar com uma nova rotina valeram a pena.

Sem esse esforço, hoje provavelmente não estaria empreendendo e com certeza estaria bastante insatisfeito com minha vida!

E você, já saiu da sua zona de conforto?

Sobre Renato Ferreira

Responsável pela implementação e otimização dos processos de SDR, Inteligência Comercial e o Road Map to Close na Samba Tech. Atuou na TAO Sales, Startup selecionada para a 1ª turma do SEED e, atualmente, Partner da Outbound Marketing.

  • Tiago Silva Pereira

    Muito interessante! Estou nessa luta também, estou desenvolvendo um aplicativo, está em estágio bem avançado… minha ideia inicial é comercializá-lo apenas na minha cidade e região… como não tenho muito conhecimento e é o primeiro negócio, vou ter que dar a cara a tapa… a idéia é bem escalável, mas resolvi focar inicialmente na minha cidade… Mais uma vez, ótimo artigo!!