O maior desafio de um chefe: o seu time (ou funcionários)

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Chefe, líder, CEO. O patrão tem vários nomes diferentes. Independentemente do nome, o que importa é que seja um bom chefe. Agora, o que é ser um bom chefe? Bem, esse é o grande desafio que encontramos quando “colocamos os pés na água” do empreendedorismo.

Ser um chefe é tão desafiador que, na maioria das vezes, um bom chefe para um negócio não significa o ser um bom chefe em outros empreendimentos. Obviamente, há uma espinha dorsal, ou seja, uma base comum de princípios que praticamente se enquadram em qualquer realidade. Ao mesmo tempo, as singularidades de um negócio exigem um exercício de chefia diferente sob muitos aspectos.

[Atenção] Este artigo contém uma visão pessoal sob a minha vivência particular como dono de um empreendimento. Não é uma regra nem a verdade absoluta. Apenas um relato segundo minha experiência de vida sob a liderança de um negócio.

Eu não tenho a pretensão de cobrir todos os desafios que um chefe possui, afinal eu sequer sou um dono de empresa com experiência suficiente para dar conselhos sobre as complexidades e vastidão de responsabilidades que um CEO “acumula” ao passo que o negócio vai crescendo.

Portanto, gostaria de focar (e alegrar quem acha meus artigos muito prolixos) em um aspecto: funcionários.

Escolhi falar abertamente sobre esse tema justamente porque poucos empreendedores tem o desprendimento (com muitas razões, claro) de abordar esse aspecto particular, afinal, como comanda dezenas ou centenas de funcionários, qualquer colocação pública poderá trazer desconforto no seu dia-a-dia interno.

Sendo assim, como eu tenho um problema sério de não temer a morte (ou as consequências de falar a verdade quando escrevo), aqui estou eu diante do matadouro outra vez.

Uma empresa sem cultura não atrai nem retém talentos

Nós temos um ditado que diz: O olho do dono é que engorda o gado. Apostaria que, se gados tivessem ditados, elas teriam este: Nós comemos em paz porque vemos que nosso dono está presente conosco.

Fazendo o grifo que funcionários não são vacas (tenho medo de problematizadores, por isso esclareço), acredito muito que o rendimento, foco, entrega, etc dos funcionários está diretamente relacionada ao que eles enxergam no seu chefe (líder, head, boss, burguês, explorador, seja lá o nome que você queira dar).

E o que isso tem a ver com cultura? Bem, a cultura mestra de uma empresa é a cultura dos seus fundadores. Portanto, o reflexo da cultura e valores de uma empresa, ao menos no seu início, é a cultura dos seus donos.

Se o chefe é honesto, sua honestidade reflete no dia-a-dia do seu time. Se o chefe busca sempre agir com justiça, ouvir, reconhecer seus erros, não problematizador, etc; seu time irá, em muito, refletir essas mesmas características. Portanto, tudo aquilo que você fizer, tudo o que você for, refletirá no seu time. Diretamente.

A responsabilidade do chefe é ser, viver, praticar a cultura que ele prega e deseja que seu time tenha. Ao menos nas quatro linhas do campo do seu negócio, a chance do time reproduzir o comportamento do seu chefe é muito grande. Sempre haverá exceções. Mas não estamos aqui para falar delas. Nem para comentar o “extra-campo”, onde nenhum de nós consegue prever.

Na minha opinião, um chefe sem uma boa e sólida cultura não é capaz, na sua essência, de atrair ou reter talentos no médio e longo prazo.

A participação nas contratações faz toda diferença

Você precisa conhecer quem está embarcando no seu navio. Não basta terceirizar todo o processo com o RH (não que o RH não tenha a capacidade de contratar, longe disso). O chefe precisa conhecer, stalkear (sim, um chefe normal procura o Facebook, Twitter, Instagram, LinkedIn, referências de pessoas em comum, etc) para diminuir ao máximo o falso positivo e também para que as expectativas estejam extremamente alinhadas desde o primeiro momento.

Conversar com os candidatos, ouví-los, conhecer sobre sua vida, família, sonhos é vital. Isso faz com que você entenda, em muito, como contribuir para que esse novo funcionário cresça e alcance seus próprios objetivos (ou ganhe solidez para vir a alcançar num futuro).

Quase nunca o ponto de chegada de um funcionário será sua empresa. Se for, dependendo da idade e do objetivo, isso pode ser um sinal de alerta. Na verdade, para a maioria das pessoas, uma empresa é mais um ponto de passagem. Explico.

Eu entendo que pessoas que sonham alto são fantásticas. Principalmente os mais jovens. Elas estão super focadas em alcançar esse sonho. Sua empresa dificilmente terá espaço para “abrigar” confortavelmente o sonho desse colaborador. Portanto, se você conseguir fazer com que sua empresa seja parte da fantástica jornada rumo ao sonho dessas pessoas, certamente você terá um funcionário extremamente dedicado e que entregará suas obrigações com exatamente o esmero que você espera.

É o famoso “ganha-ganha”. Você ganha por ter uma pessoa fantástica no time e que vai ensinar muitas coisas incríveis além de deixar um grande legado para os seus colegas. Ao mesmo tempo, o funcionário ganha porque sua empresa serviu de trampolim para mais um (ou alguns) degraus rumo a este grande sonho dele. O resultado desse período de convivência juntos se transforma em gratidão mutua. É o melhor dos mundos.

Ah, e se bater aquela dorzinha do adeus, provavelmente é porque ambos compreenderam que construiram juntos algo fantástico. Tanto em favor do negócio, quanto em favor dos sonhos individuais de cada um.

O chefe que não vai a guerra condena seu time ao massacre

Na minha opinião, um chefe que não está presente não consegue guiar seu time rumo as vitórias. É necessário colocar o pé na água junto com todo o time. Quando o chefe se ausenta demais, os funcionários sentem. Em diversos aspectos. Tanto sentem o “abandono” quanto a falta de liderança. Inclusive, dependendo do tipo da ausência do chefe, o time passa a brigar para ver quem será o chefe interino ou o chefe de direito da firma.

O chefe tem que pegar na espada junto com o seus funcionários. Ir as batalhas, lutar a guerra. Se isso não acontecer, no meio dos maiores desafios, o time pode se perder e isso pode custar muito caro para o negócio, para o chefe e para os próprios funcionários. Todos perdem.

O chefe é o primeiro a entrar no campo de batalha e o último a sair. E ele é responsável por não deixar ninguém pra trás.

A honestidade e transparência tem um alto preço (e que precisa ser pago)

A melhor pior coisa que um chefe pode ser é honesto e transparente. Isso, é a melhor e a pior ao mesmo tempo. Melhor porque um time precisa de um líder previsível. Ou seja, um porto seguro. Uma referência, um padrão.

Ao mesmo tempo, o fato do chefe ter um padrão faz com que aqueles funcionários mais “espertalhões” tentem passar a perna no seu chefe. Afinal, ele conhece o padrão e como o chefe irá atuar. Assim, com essa previsibilidade, fica mais fácil burlar e enganar.

Chefes honestos e transparentes guiam muito bem seus times. Mas sofrem muito com os poucos enganadores que exploram essa virtude/defeito para passar o chefe para trás.

Ser um chefe é assumir a responsabilidade de ser honesto e transparente e ter peito para bancar o alto preço de assim o ser. As facadas nas costas virão. Mas é o preço de ser referência para dezenas, centenas de pessoas que convivem com você diariamente.

É necessário sempre assumir os erros e corrigí-los rapidamente

Como chefe, eu já cometi inúmeros erros. Nunca me furtei de nenhum deles (não que tenha conhecimento). Sei que preciso melhorar muito. E constantemente. Tenho muitos arrependimentos também. E faz parte do ser chefe conviver com as consequências das nossas imperfeições como líder de um negócio.

Ao mesmo tempo, assumir os erros e buscar a correção deles rapidamente é algo que acredito ser extremamente poderoso. Sempre falo sobre liderarmos pelo exemplo. E uma coisa que os chefes não podem ter é compromisso com o erro. Erraremos, certamente. Mas não precisamos nos manter no erro, de forma alguma.

A melhor coisa que podemos fazer, como chefes, é demonstrar que somos humanos, falhos e que estamos juntos no mesmo barco aprendendo, nos aprimorando e buscando alcançar mais um degrau nos nossos objetivos e sonhos.

Portanto, quanto mais claro e transparente um chefe for quanto a um erro e a sua pronta correção, melhor será para todo o seu time. Isso será exemplo e passará gradualmente a ser uma prática sadia de todo o seu time porque se tornou em cultura da empresa.

Conclusão: Ser um chefe de sucesso depende de que seus funcionários igualmente alcancem sucesso

Ainda sou bastante inexperiente. Preciso aprender muito. Tento fazer isso. Como disse, já cometi muitos erros. Também já sofri várias injustiças. Não preciso me vitimizar, afinal, com mais trabalho duro, essas injustiças passam. E também, com o tempo, a verdadeira identidade e atos das pessoas que praticam injustiça acaba sendo revelada.

O meu objetivo com esse texto era apenas expor a grande responsabilidade que um chefe tem em suas mãos. Veja, cada funcionário possui uma família. O chefe é responsável, de alguma forma, pelo sustento de várias casas. Cada dia que seu time cresce, mais cresce sua responsabilidade e impacto. Mais pessoas “dependem” do sucesso daquele negócio. Não são apenas os investidores. São, no meu caso, dezenas de famílias que estão “apostando”, junto comigo, no sucesso de uma empresa.

Há coisas que, como chefes, podemos controlar e prever. Outras não (como um calote ou roubo, por exemplo). Ainda sim, na minha visão, o sucesso ou o fracasso do negócio é algo muito sério. Porque afeta diretamente a vida de muitas outras pessoas.

O grande desafio de um chefe é alinhar o sucesso do negócio com o sucesso dos seus funcionários permitindo que ambos objetivos sejam alcançados. Se seu funcionário alcançar sucesso trabalhando com você, muito provavelmente você também alcançará sucesso. Não apenas como chefe, mas seu negócio como um todo também alcançará esse sucesso que você espera.

Por isso que, uma vez mais sob minha percepção particular, o maior desafio de um chefe é o seu time.

Sobre Matt Montenegro

Matt Montenegro é fundador do Barba Ruiva, que funciona como um guarda-chuvas para o Beved, um mercado livre de cursos online, o Vida de Startup, este blog onde é escritor e criador e o Aio, um YouTube corporativo para base de conhecimento, comunicação interna e mini-treinamentos para empresas. Também é formado em Comunicação Social(Publicidade) na Newton Paiva, cursou a Pós-Graduação em Design de Interação na PUC e especialista em User Experience. É membro ativo do SanPedroValley, comunidade auto-gerenciada de startups da região metropolitana de Belo Horizonte.